Em que estou pensando? Nas
bodegas pedagógicas. Nas que dizem, aos quatro ventos, que possuem nos seus
quadros os melhores professores da cidade. Pergunta: o que é mesmo ser melhor
professor? Por que critério as bodegas pedagógicas elegem os seus “melhores
professores?” Estou pensando no fato de as bodegas pedagógicas ainda não terem
atentado para o fato singular de que educação não deveria ser tratada como
objeto de comércio. Tal como a saúde, é a educação obrigação de todos (art. 205
e seguintes da Constituição Federal). E, quando se trata de educação escolar, a
iniciativa particular deve ter desempenho igual ou melhor àquele que o Estado
deve fornecer.
Estou pensando nas bodegas
pedagógicas, que, à época dos exames vestibulares, enviam professores-sátrapas a
garimpar, nas outras escolas, alunos com bom desempenho. A estes oferece
algumas vantagenzinhas, como escola gratuita e outros psedobenefícios para que
este se transfira para a bodega pedagógica. Tem-se a impressão de um ato de
franca bondade. Mentira deslavada. Se o aluno obtém boa colocação nos exames
vestibulares e quejandos, a bodega pedagógica traz o mérito para si. Quanto ao
aluno, foi como que usado para promover a bodega pedagógica. Quem realmente
lucra, e muito, é esse tipo de escola, que figura, sofisticamente, como modelo,
como molde, como escola digna de ser imitada. Ora, meus senhores, acabemos com
a farsa. Se se luta tanto contra preconceito, se o próprio ordenamento jurídico
rechaça qualquer manifestação discriminatória, como explicar os tais quadros de
honra, de melhores alunos e outras asneiras do mesmo naipe? Que existam, mas
não se permita que os demais alunos não se vejam diminuídos por esta clara manifestação
preconceituosa posta em voga pelas famigeradas bodegas pedagógicas. Capistrano
de Abreu, Érico Veríssimo e Machado de Assis não figurariam em tais ridícula
galerias...
Estou pensando no quanto as
bodegas pedagógicas tanto se digladiam em jornais e outros meios de
comunicação, numa encarniçada luta para demonstrar qual delas é a melhor. Por
que tudo isso. Por que não trabalham em silêncio. Se fazem tanto alarde, algo
existe de podre no fazer educação neste País.
Será mera coincidência a existência
de levas e levas de profissionais que se sobressaem não só por eloqüente
incompetência mas também por serem portadores de elevada propensão à
prepotência e à arrogância? Ou estaria
faltando nas escolas, sobretudo nas bodegas pedagógicas, a preocupação com
formar homens e não tiranoides? Não seria de bom alvitre que os currículos se
voltassem também para a formação humanística do alunado, com a ministração de
aulas envolvendo alguma filosofia, alguma poesia...
No mesmo diapasão, não seria
aconselhável que as bodegas pedagógicas visassem menor margem de lucro.
O problema é que a figura do
educador, proprietário de escola, está, de há muito, cedendo lugar a
empresários sem nenhum preparo para o ser da Pedagogia.
Eis a tragédia...
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