segunda-feira, 7 de maio de 2012


Em que estou pensando? Nas bodegas pedagógicas. Nas que dizem, aos quatro ventos, que possuem nos seus quadros os melhores professores da cidade. Pergunta: o que é mesmo ser melhor professor? Por que critério as bodegas pedagógicas elegem os seus “melhores professores?” Estou pensando no fato de as bodegas pedagógicas ainda não terem atentado para o fato singular de que educação não deveria ser tratada como objeto de comércio. Tal como a saúde, é a educação obrigação de todos (art. 205 e seguintes da Constituição Federal). E, quando se trata de educação escolar, a iniciativa particular deve ter desempenho igual ou melhor àquele que o Estado deve fornecer.

Estou pensando nas bodegas pedagógicas, que, à época dos exames vestibulares, enviam professores-sátrapas a garimpar, nas outras escolas, alunos com bom desempenho. A estes oferece algumas vantagenzinhas, como escola gratuita e outros psedobenefícios para que este se transfira para a bodega pedagógica. Tem-se a impressão de um ato de franca bondade. Mentira deslavada. Se o aluno obtém boa colocação nos exames vestibulares e quejandos, a bodega pedagógica traz o mérito para si. Quanto ao aluno, foi como que usado para promover a bodega pedagógica. Quem realmente lucra, e muito, é esse tipo de escola, que figura, sofisticamente, como modelo, como molde, como escola digna de ser imitada. Ora, meus senhores, acabemos com a farsa. Se se luta tanto contra preconceito, se o próprio ordenamento jurídico rechaça qualquer manifestação discriminatória, como explicar os tais quadros de honra, de melhores alunos e outras asneiras do mesmo naipe? Que existam, mas não se permita que os demais alunos não se vejam diminuídos por esta clara manifestação preconceituosa posta em voga pelas famigeradas bodegas pedagógicas. Capistrano de Abreu, Érico Veríssimo e Machado de Assis não figurariam em tais ridícula galerias...

Estou pensando no quanto as bodegas pedagógicas tanto se digladiam em jornais e outros meios de comunicação, numa encarniçada luta para demonstrar qual delas é a melhor. Por que tudo isso. Por que não trabalham em silêncio. Se fazem tanto alarde, algo existe de podre no fazer educação neste País.  

Será mera coincidência a existência de levas e levas de profissionais que se sobressaem não só por eloqüente incompetência mas também por serem portadores de elevada propensão à prepotência e à arrogância?  Ou estaria faltando nas escolas, sobretudo nas bodegas pedagógicas, a preocupação com formar homens e não tiranoides? Não seria de bom alvitre que os currículos se voltassem também para a formação humanística do alunado, com a ministração de aulas envolvendo alguma filosofia, alguma poesia...

No mesmo diapasão, não seria aconselhável que as bodegas pedagógicas visassem menor margem de lucro.

O problema é que a figura do educador, proprietário de escola, está, de há muito, cedendo lugar a empresários sem nenhum preparo para o ser da Pedagogia.

Eis a tragédia...

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