ESTUDAR LATIM
Hugo Martins
Com o pragmatismo
marcante dos tempos modernos, deixamos de sonhar, temos vergonha do idealismo
gratuito do fazer por gostar, tememos rechaçar determinadas verdades que
pululam por aí. Estudar inglês é a grande verdade. Estudar português é maçante.
Estudar latim é anacrônico.
Nenhuma
reserva em relação ao idioma de Shakespeare. Teme-se apenas o render-se à
subserviência lingüística alienígena quando dispomos de um idioma tão belo e
tão doce quanto a língua portuguesa, cujos predicados Olavo Bilac decantou no
poema Língua Portuguesa: a velha “Última flor do Lácio inculta e bela...”
Sobreestimar a necessidade de o povo brasileiro cultuar com mais amor o idioma
de que é usuário é dever de todos os que
têm consciência de que o estrangeiro inicia a imposição de seus valores a outro
povo pelo cultural, pelo lingüístico.
Pode
não ser dever daqueles desejar que todo brasileiro estude a língua latina. Com
efeito, o estudo do idioma de Cícero e Virgílio, pelos encantos a ele
imanentes, pela precisão de suas frases enxutas, pela presteza com que abre o
raciocínio para alçar vôos mais altos, todos esses benefícios que dimanam do
estudo da língua latina ficam para alguns, apenas para os que não alimentam
preguiça mental e descobriram cedo que a racionalidade ainda é o de mais
demasiadamente humano.
Nosso país se dá o
luxo de retirar o latim do currículo escolar. Nos países europeus, o ensino de
latim é obrigatório. Na Alemanha, estuda-se latim tanto quanto o alemão. O
professor Napoleão Mendes de Almeida, exaltando as vantagens de se estudar
latim diz, no prefácio de sua Gramática Latina, que na Áustria estuda-se latim
no curso superior enquanto este durar; por outro lado, o estudante alemão é
obrigado a estudar latim por nove anos.
Uma das maiores vantagens do estudar latim é o
desenvolvimento da inteligência. O indivíduo fica mais arguto, mais observador,
mais analítico. O professor Giacomo Albanese, eminente professor de Geometria
costumava dizer: “Dêem-me um bom aluno de latim, que farei dele um grande
matemático”. No Brasil, Giacomo Albanese e dois outros colegas italianos,
aqui chegados para lecionar na condição de professores visitantes, percebendo a
pobreza de raciocínio de alguns alunos, dirigiram-se ao ministro da educação e
fizeram a seguinte solicitação: “Pedimos a Vossa Excelência que na reforma
que se projeta se dê menos matemática e MAIS LATIM no curso secundário, para
que possamos ensinar matemática no curso superior.”
Vamos
transpor para cá algumas opiniões de homens eminentes acerca da importância do
ensino do latim. Seguem aspeadas e com o nome do autor.
“Duas disciplinas são
absolutamente necessárias para quem quiser possuir espírito claro e penetrante:
a geometria e o latim.”(Giacomo Albanese, matemático italiano, professor nas
Universidade de Pisa e S. Paulo) .
“O estudo do latim é uma
preparação utilíssima para o estudo das matemáticas.” ( H. Poincaré, matemático
francês) .
“ Não pergunte o que o
seu filho vai fazer do latim, mas sim, o que o latim vai fazer de seus filho.”
( Prof. Harold, senador
inglês).
“O
idioma latino, um dos mais formosos, com o grego, que se falaram jamais sobre a
terra.” ( Alberto Magne, filólogo brasileiro).
“Antes de mais nada é
preciso aprender a pensar; e para pensar certo, eu creio no poder das
humanidades: latim e grego. (General
Eisenhower).
Este discurso tem por
escopo concitar a nova direção do CEFETCE a lançar olhos para a importância de
ensinar-se latim na nossa instituição. Em primeiro lugar, porque há professor
preparado e disponível a enfrentar a empreitada. Em segundo lugar, a depender
do divulgar a idéia, este escriba a isso se prontifica; e, por fim, porque
estamos convencidos de que a maioria dos que fazem a nossa instituição está
preocupada com ocupar seu intelecto com coisas nobres. Aí está! Resta a nós
impulsionar a idéia.
Por evidente, tudo isso
foi jogado na vala comum do indiferentismo...
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