quarta-feira, 25 de abril de 2012


ESTUDAR LATIM



                                                                                              Hugo Martins



                        Com o pragmatismo marcante dos tempos modernos, deixamos de sonhar, temos vergonha do idealismo gratuito do fazer por gostar, tememos rechaçar determinadas verdades que pululam por aí. Estudar inglês é a grande verdade. Estudar português é maçante. Estudar latim é anacrônico.

                        Nenhuma reserva em relação ao idioma de Shakespeare. Teme-se apenas o render-se à subserviência lingüística alienígena quando dispomos de um idioma tão belo e tão doce quanto a língua portuguesa, cujos predicados Olavo Bilac decantou no poema Língua Portuguesa: a velha “Última flor do Lácio inculta e bela...” Sobreestimar a necessidade de o povo brasileiro cultuar com mais amor o idioma de que é usuário é  dever de todos os que têm consciência de que o estrangeiro inicia a imposição de seus valores a outro povo pelo cultural, pelo lingüístico.

           Pode não ser dever daqueles desejar que todo brasileiro estude a língua latina. Com efeito, o estudo do idioma de Cícero e Virgílio, pelos encantos a ele imanentes, pela precisão de suas frases enxutas, pela presteza com que abre o raciocínio para alçar vôos mais altos, todos esses benefícios que dimanam do estudo da língua latina ficam para alguns, apenas para os que não alimentam preguiça mental e descobriram cedo que a racionalidade ainda é o de mais demasiadamente humano.

                             Nosso país se dá o luxo de retirar o latim do currículo escolar. Nos países europeus, o ensino de latim é obrigatório. Na Alemanha, estuda-se latim tanto quanto o alemão. O professor Napoleão Mendes de Almeida, exaltando as vantagens de se estudar latim diz, no prefácio de sua Gramática Latina, que na Áustria estuda-se latim no curso superior enquanto este durar; por outro lado, o estudante alemão é obrigado a estudar latim por nove anos.

                        Uma das maiores vantagens do estudar latim é o desenvolvimento da inteligência. O indivíduo fica mais arguto, mais observador, mais analítico. O professor Giacomo Albanese, eminente professor de Geometria costumava dizer: “Dêem-me um bom aluno de latim, que farei dele um grande matemático”. No Brasil, Giacomo Albanese e dois outros colegas italianos, aqui chegados para lecionar na condição de professores visitantes, percebendo a pobreza de raciocínio de alguns alunos, dirigiram-se ao ministro da educação e fizeram a seguinte solicitação: “Pedimos a Vossa Excelência que na reforma que se projeta se dê menos matemática e MAIS LATIM no curso secundário, para que possamos ensinar matemática no curso superior.”

            Vamos transpor para cá algumas opiniões de homens eminentes acerca da importância do ensino do latim. Seguem aspeadas e com o nome do autor.

                        Duas disciplinas são absolutamente necessárias para quem quiser possuir espírito claro e penetrante: a geometria e o latim.”(Giacomo Albanese, matemático italiano, professor nas Universidade de Pisa e S. Paulo) .

                        “O estudo do latim é uma preparação utilíssima para o estudo das matemáticas.” ( H. Poincaré, matemático francês) .

                        “ Não pergunte o que o seu filho vai fazer do latim, mas sim, o que o latim vai fazer de seus filho.” ( Prof. Harold, senador inglês).

                        “O idioma latino, um dos mais formosos, com o grego, que se falaram jamais sobre a terra.” (  Alberto  Magne, filólogo brasileiro).

                        “Antes de mais nada é preciso aprender a pensar; e para pensar certo, eu creio no poder das humanidades: latim e grego.  (General Eisenhower).

                        Este discurso tem por escopo concitar a nova direção do CEFETCE a lançar olhos para a importância de ensinar-se latim na nossa instituição. Em primeiro lugar, porque há professor preparado e disponível a enfrentar a empreitada. Em segundo lugar, a depender do divulgar a idéia, este escriba a isso se prontifica; e, por fim, porque estamos convencidos de que a maioria dos que fazem a nossa instituição está preocupada com ocupar seu intelecto com coisas nobres. Aí está! Resta a nós impulsionar a idéia.

                        Por evidente, tudo isso foi jogado na vala comum do indiferentismo...









 


                       



                       

                       








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