segunda-feira, 14 de julho de 2014

Muito do que ocorre com todos os homens parece coisa do acaso. Para os fatalistas, a coisa é obra do destino, tudo já estaria programado. De um jeito ou de do outro, meninos, os jogadores Neymar e Thiago Silva devem estar dando graças aos céus por não terem participado daquela humilhação imposta pelo time alemão ao desenxabido timeco brasileiro. Mesmo que ambos estivessem participando, a tragédia seria a mesma. A propósito, antes do jogo, ouvi muitos comentários de que a ausência, sobretudo de Neymar, seria preenchida, tal como ocorreu em 1962, no Chile, quando Pelé foi posto para fora por força da pancadaria, e entrou Amarildo. Realmente, Amarildo fez seu papel e foi logo marcando gois na primeira partida de que participou, se não me engano, contra a Espanha de Puskas e Gento... Só que os comentadores não fizeram a análise friamente. Recorreram à paixão e deixaram de lado a Razão. Naquela seleção havia Nilton Santos, Didi, Garrincha e Zagalo, todos do Botafogo tal qual Amarildo, Além do restante do elenco: Gilmar, Djalma Santos, Mauro, Zito, Zózimo e Vavá. E nesta, que sofreu a estridente goleada, quem foi mesmo quem entrou no lugar de Neymar. E os demais, quem eram?
Àquela época, 1962, todos os jogadores jogavam aqui, no solo brasileiro. Não havia o glamour imposto pela imprensa. Jogador de futebol era jogador de futebol. Àquela época, depois da conquista do bicampeonato, Pelé continuou indo para os treinos na Vila Belmiro dirigindo seu próprio carro, e Garrincha, indo para a cidade de Pau Grande, bater pelada, caçar passarinhos e beber uns birinaites com os amigos. Não precisavam de escolta... Hoje o que se vê? É jogador de futebol endeusado, celebrizado, ditando modas... Quem não jogar fora do Brasil corre sério risco de não ser convocado. Naquele tempo, quando Evaristo de Macedo foi jogar no Real Madrid, temia não ser convocado... Canhoteiro, não o vi jogando, mas li sobre a figura, deveria ter sido o primeiro ponta-esquerda da seleção de 1958. Implorou para não ser convocado. Razões? Não se sabe. Para não ser injusto, devemos lembrar que Fred joga no Fluminense do Rio de Janeiro... No Fluminense. E na Seleção? Bom, aí é outra história...
Aqui em terras brasileiras, podem se montar mais de dez seleções de futebol para disputar o mundial. Interesses escusos, porém, impõem que só “estrangeiros” devem ser convocados. Direi como o velho Brizola quando a ele disseram que Delfim Neto aplaudia o Plano Cruzado de Funaro e Sarney, pronunciando o “l” de algo, de modo alveolar, isto é, encostando a ponta da língua nos alvéolos: “se Delfim aplaude, algo existe.
Mas o bom mesmo de tudo era você olhar na tela a cara de Cagão Bueno, Ronalducho, Casagrande e Arnaldo César Coelho à medida que os alemães marcavam mais um gol. Era como se não tivessem nada a dizer. E não tinham mesmo, embora se esforçassem...
Por fim, lembrando Noel, que dizia: “ninguém aprende samba no colégio”, parafraseando o poeta da Vila, aduzimos: futebol não se aprende no estrangeiro, mas nos campos de várzeas como o fizeram Pelé, Garrincha, Ademir da Guia, Dida, Didi e tantos outros que sempre colocaram o nome do futebol brasileiro nos altiplanos da arte, do malabarismo, da gratuidade de jogar com a alegria que desperta na alma o jogar futebol. Quem foi moleque de rua bem sabe disso.
ESTOU FORA...
Hugo Martins

Algum motivo para alguém se ufanar, abrir a gorja e bradar: “sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor?” Aqui se pagam tributos além da conta, os quais não são devidamente alocados, isto é, não voltam em forma de serviços. Pois é: embora a Constituição em vigor programe saúde, educação e outros direitos para todos, isso soa como palavras vãs, coisa de primeiro mundo. O pior é que o sujeito paga previdência, mas tem de contratar plano de saúde. Este, em muitas situações, só funciona se acionado pelo poder judiciário. O sujeito paga pensão alimentícia para filhos de que dela necessitam. Se, porém, o filho chegar aos 21 anos de idade, o alimentante não pode pedir abatimento na declaração do imposto de renda, pois há uma presunção de que em tal idade, o alimentando já alcançou emancipação econômica. É cômico, não? O sujeito paga mensalidade escolar, mas só abate dada fração na declaração do imposto de renda... Que desproporção, não? Onde anda o tal princípio d isonomia. É triste, não?
Algum motivo outro para alguém abrir a bocarra e gritar: “sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”? Aqui, um ministro da maior corte judicial do País se obriga a se afastar das funções porque está a cumprir sua obrigação. Suas decisões estão sendo revistas... Há a desconfiança de que aquele senhor teria se excedido no exercício da judicatura. Não haveria algo de podre no reino de Brasília? Aqui, o princípio da isonomia só existe para uns poucos tal como ocorre na prosa dilacerantemente irônica de George Orwell na obrinha cortante A Revolução dos Bichos. Aqui somos campeões do mundo em corrupção, ladroagem, engodo, mentiras e falta de vergonha. O pior: tudo partido de partidos políticos. Aqui, se compram voto; aqui, partidos políticos parecem mais associações criminosas, formadas por quadrilheiros versados na arte de pilhar o erário; aqui, todos hibernam sob a influência narcótica de um certame esportivo, enquanto os homens bem falantes vão aumentando seu patrimônio à custa da ingenuidade de todos.
Algum motivo sério para alguém, orgulhosamente, deixar ecoar o brado: “eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”? Aqui, se cometem crimes de toda sorte, a população fica entregue à sanha de homicidas, assaltantes, estupradores e outros criminosos mais sofisticados, que não agem senão no ambiente de seus gabinetes refrigerados. Ninguém teme a presença da polícia, tampouco da ação do poder judiciário. Não funcionam mesmo. Argumento disseminado entre a população.
Aqui, as crianças das escolas públicas, imagens que a publicidade oficial não mostra, estudam no chão ou em carteiras carcomidas pela ação do tempo. A merenda escolar que a meninada espera ter todos os dias é desviada para projetos outros nada nobres, como , por exemplo, alindar casas de praias de alguns ladrões de alto coturno. Aqui, exercitar a honestidade é ser levado aos meios de comunicação de massa onde o “honesto” é levado a um picadeiro televisivo para mostrar que aqui não há só pessoas desonestas. Devolver a bolsa perdida por alguém é sinônimo de virtude... Ora, ora, ora...
Afora essas coisinhas, todos estão compenetrados e programados para gritar “eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”. É bonito, é lírico, é prova insofismável de que todos são patriotas e amam seu País. Amor tristemente tragicômico, digno de figurar em qualquer obra teatral concebida
pelos antigos gregos.
Todos juntos, vamos! Pra frente, Brasil! Salve a Seleção! A ressaca histórica não tarda.
Impressões de leitura
                                                               Hugo Martins

Findei a leitura de uma obra deliciosa: A Cura de Schopenhauer. Embora o entrecho do livro cheire a burguesismo filisteu, flagram-se, aqui e ali, alusões ao filósofo alemão, incompreendido no seu tempo, mas eterno para as gerações que se sucederam.
Com efeito, Arthur Schopenhauer, influenciou diversas categorias de pensadores e literatos. Entre os primeiros, o austríaco Sigmund Freud, o dinamarquês Soren Kierkegard e o alemão Nietzsche; entre os últimos, aqui no Brasil, Machado de Assis (Memórias Póstuma de Brás Cubas) e Augusto dos Anjos ( Eu e outras poesias).
Além do pensamento navalhante do filósofo, lemos, na obra aludida, historietas que bem demonstram a irritação do pensador com a estupidez humana.
Certa feita, uma senhora dirigiu-se a ele, vomitando toda sorte de impropérios contra a instituição do casamento. Depois de “soltar os cachorros”, acrescentou: “entendeu?” Ao que o pensador acrescentou; “não, mas passei a entender muito bem seu marido”. Outra vez, um sujeitinho fez uma pergunta ao filósofo. Como este dissesse que não conhecia o assunto, o néscio ficou indignado, dizendo: “não aceito um filósofo do seu porte desconhecer tal assunto?” Schopenhauer olhou-o e disse: “Meu caro, a sabedoria tem limites. O que não tem nenhum limite é a ignorância”. Conta-se também que toda vez que ia fazer refeições numa casa de pasto, antes de sentar-se, retirava uma moeda de ouro do bolso, punha-a sobre a mesa. Ao fim da refeição, levantava-se, repunha a moeda na algibeira e se ia. Um dia, um curioso abordou o filósofo e perguntou-lhe por que sempre fazia aquilo. Schopenhauer respondeu: “No dia em que eu aqui entrar, e algum homem não estiver conversando sobre mulheres e cavalos (futebol, hoje), ganhará essa moeda.”
Sua decepção com o gênero humano se traduzia pelo afeto que ele dedicava a seu cachorro Atma. A este dava o nobre título de Sir. No entanto, se o animal demonstrasse algum comportamento que o irritasse, dizia: “Fica quieto, Humano”!
Embora a obra referida no primeiro parágrafo não aprofunde o pensamento do filósofo (é esperável num best seller), o leitor deve  procurar se inteirar de obras famosas daquele pensador,  que dão bem a medida da visão trágica da existência. Dentre elas, O Mundo como Vontade e como Representação e Parerga e Paralipomena. Se, porém, não desejar encarar o pensamento do filósofo por tais obras, afunde-se num sofá e assista às novelas globais. Ou, se preferir, sente-se numa cadeira à frente do computador, ligue-se ao Facebook e pesque dos sites de terceiros as frases carameladas e ocas dos paulo coelho, augusto cury à frente, e outros idiotas da mesma cepa.

Nestas, temos a venda do otimismo barato que encanta as almas ingênuas. Na filosofia, o realismo contundente das coisas da vida, da tragicidade da existência e “outras questões prenhes de outras questões”... Amor, morte, o tempo que passa, os engodos de determinados discursos certinhos e direcionados pela influência maligna das ideologias, e tudo o mais que o tempo destrói: a fama, a beleza, a vaidade, a ânsia pelo poder e pela riqueza, a juventude e outra questões aterradoras... O menu é suficiente para despertar reflexões e banir o indiferentismo intelectual acerca dos variegados sentidos da vida.
Impressões de leitura
                                                               Hugo Martins

Findei a leitura de uma obra deliciosa: A Cura de Schopenhauer. Embora o entrecho do livro cheire a burguesismo filisteu, flagram-se, aqui e ali, alusões ao filósofo alemão, incompreendido no seu tempo, mas eterno para as gerações que se sucederam.
Com efeito, Arthur Schopenhauer, influenciou diversas categorias de pensadores e literatos. Entre os primeiros, o austríaco Sigmund Freud, o dinamarquês Soren Kierkegard e o alemão Nietzsche; entre os últimos, aqui no Brasil, Machado de Assis (Memórias Póstuma de Brás Cubas) e Augusto dos Anjos ( Eu e outras poesias).
Além do pensamento navalhante do filósofo, lemos, na obra aludida, historietas que bem demonstram a irritação do pensador com a estupidez humana.
Certa feita, uma senhora dirigiu-se a ele, vomitando toda sorte de impropérios contra a instituição do casamento. Depois de “soltar os cachorros”, acrescentou: “entendeu?” Ao que o pensador acrescentou; “não, mas passei a entender muito bem seu marido”. Outra vez, um sujeitinho fez uma pergunta ao filósofo. Como este dissesse que não conhecia o assunto, o néscio ficou indignado, dizendo: “não aceito um filósofo do seu porte desconhecer tal assunto?” Schopenhauer olhou-o e disse: “Meu caro, a sabedoria tem limites. O que não tem nenhum limite é a ignorância”. Conta-se também que toda vez que ia fazer refeições numa casa de pasto, antes de sentar-se, retirava uma moeda de ouro do bolso, punha-a sobre a mesa. Ao fim da refeição, levantava-se, repunha a moeda na algibeira e se ia. Um dia, um curioso abordou o filósofo e perguntou-lhe por que sempre fazia aquilo. Schopenhauer respondeu: “No dia em que eu aqui entrar, e algum homem não estiver conversando sobre mulheres e cavalos (futebol, hoje), ganhará essa moeda.”
Sua decepção com o gênero humano se traduzia pelo afeto que ele dedicava a seu cachorro Atma. A este dava o nobre título de Sir. No entanto, se o animal demonstrasse algum comportamento que o irritasse, dizia: “Fica quieto, Humano”!
Embora a obra referida no primeiro parágrafo não aprofunde o pensamento do filósofo (é esperável num best seller), o leitor deve  procurar se inteirar de obras famosas daquele pensador,  que dão bem a medida da visão trágica da existência. Dentre elas, O Mundo como Vontade e como Representação e Parerga e Paralipomena. Se, porém, não desejar encarar o pensamento do filósofo por tais obras, afunde-se num sofá e assista às novelas globais. Ou, se preferir, sente-se numa cadeira à frente do computador, ligue-se ao Facebook e pesque dos sites de terceiros as frases carameladas e ocas dos paulo coelho, augusto cury à frente, e outros idiotas da mesma cepa.

Nestas, temos a venda do otimismo barato que encanta as almas ingênuas. Na filosofia, o realismo contundente das coisas da vida, da tragicidade da existência e “outras questões prenhes de outras questões”... Amor, morte, o tempo que passa, os engodos de determinados discursos certinhos e direcionados pela influência maligna das ideologias, e tudo o mais que o tempo destrói: a fama, a beleza, a vaidade, a ânsia pelo poder e pela riqueza, a juventude e outra questões aterradoras... O menu é suficiente para despertar reflexões e banir o indiferentismo intelectual acerca dos variegados sentidos da vida.
Impressões de leitura
                                                               Hugo Martins

Findei a leitura de uma obra deliciosa: A Cura de Schopenhauer. Embora o entrecho do livro cheire a burguesismo filisteu, flagram-se, aqui e ali, alusões ao filósofo alemão, incompreendido no seu tempo, mas eterno para as gerações que se sucederam.
Com efeito, Arthur Schopenhauer, influenciou diversas categorias de pensadores e literatos. Entre os primeiros, o austríaco Sigmund Freud, o dinamarquês Soren Kierkegard e o alemão Nietzsche; entre os últimos, aqui no Brasil, Machado de Assis (Memórias Póstuma de Brás Cubas) e Augusto dos Anjos ( Eu e outras poesias).
Além do pensamento navalhante do filósofo, lemos, na obra aludida, historietas que bem demonstram a irritação do pensador com a estupidez humana.
Certa feita, uma senhora dirigiu-se a ele, vomitando toda sorte de impropérios contra a instituição do casamento. Depois de “soltar os cachorros”, acrescentou: “entendeu?” Ao que o pensador acrescentou; “não, mas passei a entender muito bem seu marido”. Outra vez, um sujeitinho fez uma pergunta ao filósofo. Como este dissesse que não conhecia o assunto, o néscio ficou indignado, dizendo: “não aceito um filósofo do seu porte desconhecer tal assunto?” Schopenhauer olhou-o e disse: “Meu caro, a sabedoria tem limites. O que não tem nenhum limite é a ignorância”. Conta-se também que toda vez que ia fazer refeições numa casa de pasto, antes de sentar-se, retirava uma moeda de ouro do bolso, punha-a sobre a mesa. Ao fim da refeição, levantava-se, repunha a moeda na algibeira e se ia. Um dia, um curioso abordou o filósofo e perguntou-lhe por que sempre fazia aquilo. Schopenhauer respondeu: “No dia em que eu aqui entrar, e algum homem não estiver conversando sobre mulheres e cavalos (futebol, hoje), ganhará essa moeda.”
Sua decepção com o gênero humano se traduzia pelo afeto que ele dedicava a seu cachorro Atma. A este dava o nobre título de Sir. No entanto, se o animal demonstrasse algum comportamento que o irritasse, dizia: “Fica quieto, Humano”!
Embora a obra referida no primeiro parágrafo não aprofunde o pensamento do filósofo (é esperável num best seller), o leitor deve  procurar se inteirar de obras famosas daquele pensador,  que dão bem a medida da visão trágica da existência. Dentre elas, O Mundo como Vontade e como Representação e Parerga e Paralipomena. Se, porém, não desejar encarar o pensamento do filósofo por tais obras, afunde-se num sofá e assista às novelas globais. Ou, se preferir, sente-se numa cadeira à frente do computador, ligue-se ao Facebook e pesque dos sites de terceiros as frases carameladas e ocas dos paulo coelho, augusto cury à frente, e outros idiotas da mesma cepa.

Nestas, temos a venda do otimismo barato que encanta as almas ingênuas. Na filosofia, o realismo contundente das coisas da vida, da tragicidade da existência e “outras questões prenhes de outras questões”... Amor, morte, o tempo que passa, os engodos de determinados discursos certinhos e direcionados pela influência maligna das ideologias, e tudo o mais que o tempo destrói: a fama, a beleza, a vaidade, a ânsia pelo poder e pela riqueza, a juventude e outra questões aterradoras... O menu é suficiente para despertar reflexões e banir o indiferentismo intelectual acerca dos variegados sentidos da vida.
O OUTRO JOGO
                                      Hugo Martins

O primeiro jogo teve início no dia 12 do mês de junho e findou no dia 13 de julho. O povo brasileiro foi duramente sacrificado, pois o poder público, juntamente com a entidade-mor do esporte bretão, foi fundo na bolsa de cada torcedor, que não percebia, nem fazia esforço para tanto. Quase todos hibernavam, narcotizados pela magia do futebol, cada vez mais eficiente, sobremaneira pela força persuasiva dos meios de comunicação de massa, cuja alquimia fabrica mitos e heroifica mortais de bisonhas cabeleiras e estranhas tatuagens. O pior de tudo é que, em meio à aquela alegria, o país praticamente parou. Criaram-se feriados sem previsão legal. A indústria diminuiu sua  produção; o comércio amargou prejuízos, e as escolas tiveram, impunemente, suas portas cerradas. Hoje é um novo dia, os turistas bateram asas; as arenas (antes, eram estádios), estão curtindo seu silêncio; e o povo acordou e voltou para a vida.
O segundo jogo terá início no dia 5 de outubro do ano corrente. Enquanto os concorrentes se digladiam na ânsia infrene de abiscoitar uma fatia do poder, os brasileiros serão os árbitros. Nesse jogo de busca de poder, participam “atletas” de variadas facetas. Alguns virão de agremiações que mais parecem sociedades criminosas; outros procederão de processos judiciais em que figuram na condição de réus, em virtude de colocarem em prática a secular arte de furtar, de mentir e de não medir esforços para engordar a bolsa à custa dos tributos pagos por todos. Por fim, advirão aqueles que, por vocação para a malandragem, se funcionários  públicos, candidatam-se a fim de gozar alguns meses de férias, que eles chamam afastamento legal de função ou cargo. Ao fim e ao cabo, os árbitros desse embate devem levar no bolso SEU CARTÃO VERMELHO e utilizá-lo com seriedade e eficácia. Primeiro, não recorrendo à mesma condescendência daqueles da FIFA. Antes, utilizá-lo com o fim maior de evitar lesões e feridas, que só a História explica. A recorrência ao CARTÃO VERMELHO tira do jogo os patifes, os ladrões, os pilantras e toda a corja que joga contra os torcedores, desrespeitando-os e traindo-lhes a confiança. Jamais pense em usar o cartão vermelho como cartão verde. Esse equívoco permite que aquela cambada de desleais volte ao jogo e a partida tenha a mesma cara da anterior. Só o CARTÂO VERMELHO, aplicado com seriedade e sem complacência, pode levar todos  à conquista do título: a dignidade de todos, sem exceção.

O primeiro jogo não tem a mesma importância que o segundo. Para perceber a diferença basta refletir. 
O OUTRO JOGO
                                      Hugo Martins

O primeiro jogo teve início no dia 12 do mês de junho e findou no dia 13 de julho. O povo brasileiro foi duramente sacrificado, pois o poder público, juntamente com a entidade-mor do esporte bretão, foi fundo na bolsa de cada torcedor, que não percebia, nem fazia esforço para tanto. Quase todos hibernavam, narcotizados pela magia do futebol, cada vez mais eficiente, sobremaneira pela força persuasiva dos meios de comunicação de massa, cuja alquimia fabrica mitos e heroifica mortais de bisonhas cabeleiras e estranhas tatuagens. O pior de tudo é que, em meio à aquela alegria, o país praticamente parou. Criaram-se feriados sem previsão legal. A indústria diminuiu sua  produção; o comércio amargou prejuízos, e as escolas tiveram, impunemente, suas portas cerradas. Hoje é um novo dia, os turistas bateram asas; as arenas (antes, eram estádios), estão curtindo seu silêncio; e o povo acordou e voltou para a vida.
O segundo jogo terá início no dia 5 de outubro do ano corrente. Enquanto os concorrentes se digladiam na ânsia infrene de abiscoitar uma fatia do poder, os brasileiros serão os árbitros. Nesse jogo de busca de poder, participam “atletas” de variadas facetas. Alguns virão de agremiações que mais parecem sociedades criminosas; outros procederão de processos judiciais em que figuram na condição de réus, em virtude de colocarem em prática a secular arte de furtar, de mentir e de não medir esforços para engordar a bolsa à custa dos tributos pagos por todos. Por fim, advirão aqueles que, por vocação para a malandragem, se funcionários  públicos, candidatam-se a fim de gozar alguns meses de férias, que eles chamam afastamento legal de função ou cargo. Ao fim e ao cabo, os árbitros desse embate devem levar no bolso SEU CARTÃO VERMELHO e utilizá-lo com seriedade e eficácia. Primeiro, não recorrendo à mesma condescendência daqueles da FIFA. Antes, utilizá-lo com o fim maior de evitar lesões e feridas, que só a História explica. A recorrência ao CARTÃO VERMELHO tira do jogo os patifes, os ladrões, os pilantras e toda a corja que joga contra os torcedores, desrespeitando-os e traindo-lhes a confiança. Jamais pense em usar o cartão vermelho como cartão verde. Esse equívoco permite que aquela cambada de desleais volte ao jogo e a partida tenha a mesma cara da anterior. Só o CARTÂO VERMELHO, aplicado com seriedade e sem complacência, pode levar todos  à conquista do título: a dignidade de todos, sem exceção.

O primeiro jogo não tem a mesma importância que o segundo. Para perceber a diferença basta refletir.