segunda-feira, 14 de julho de 2014

O OUTRO JOGO
                                      Hugo Martins

O primeiro jogo teve início no dia 12 do mês de junho e findou no dia 13 de julho. O povo brasileiro foi duramente sacrificado, pois o poder público, juntamente com a entidade-mor do esporte bretão, foi fundo na bolsa de cada torcedor, que não percebia, nem fazia esforço para tanto. Quase todos hibernavam, narcotizados pela magia do futebol, cada vez mais eficiente, sobremaneira pela força persuasiva dos meios de comunicação de massa, cuja alquimia fabrica mitos e heroifica mortais de bisonhas cabeleiras e estranhas tatuagens. O pior de tudo é que, em meio à aquela alegria, o país praticamente parou. Criaram-se feriados sem previsão legal. A indústria diminuiu sua  produção; o comércio amargou prejuízos, e as escolas tiveram, impunemente, suas portas cerradas. Hoje é um novo dia, os turistas bateram asas; as arenas (antes, eram estádios), estão curtindo seu silêncio; e o povo acordou e voltou para a vida.
O segundo jogo terá início no dia 5 de outubro do ano corrente. Enquanto os concorrentes se digladiam na ânsia infrene de abiscoitar uma fatia do poder, os brasileiros serão os árbitros. Nesse jogo de busca de poder, participam “atletas” de variadas facetas. Alguns virão de agremiações que mais parecem sociedades criminosas; outros procederão de processos judiciais em que figuram na condição de réus, em virtude de colocarem em prática a secular arte de furtar, de mentir e de não medir esforços para engordar a bolsa à custa dos tributos pagos por todos. Por fim, advirão aqueles que, por vocação para a malandragem, se funcionários  públicos, candidatam-se a fim de gozar alguns meses de férias, que eles chamam afastamento legal de função ou cargo. Ao fim e ao cabo, os árbitros desse embate devem levar no bolso SEU CARTÃO VERMELHO e utilizá-lo com seriedade e eficácia. Primeiro, não recorrendo à mesma condescendência daqueles da FIFA. Antes, utilizá-lo com o fim maior de evitar lesões e feridas, que só a História explica. A recorrência ao CARTÃO VERMELHO tira do jogo os patifes, os ladrões, os pilantras e toda a corja que joga contra os torcedores, desrespeitando-os e traindo-lhes a confiança. Jamais pense em usar o cartão vermelho como cartão verde. Esse equívoco permite que aquela cambada de desleais volte ao jogo e a partida tenha a mesma cara da anterior. Só o CARTÂO VERMELHO, aplicado com seriedade e sem complacência, pode levar todos  à conquista do título: a dignidade de todos, sem exceção.

O primeiro jogo não tem a mesma importância que o segundo. Para perceber a diferença basta refletir. 

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