Eu gosto desses “em que você está
pensando” ou “diga alguma coisa”, que encabeçam a página do facebook. São expressões
que estimulam o visitante a escrever alguma coisa. Agora, por exemplo, vou
deslizando os dedos sobre o teclado sem saber exatamente o que vou dizer. Pouco
me importa, pois sei que palavra puxa palavra e, nesses momentos, o redator
deve livrar-se de qualquer censura e deixar que a coisa flua e ir registrando o
que lhe vem à cachola até que, de repente, o pensamento começa a se organizar.
É algo parecido com você olhar para o firmamento e começar a enxergar figuras e
imagens que se revelam diversas no olhar de cada apreciador de “retratos” que
se desenham no céu azul e nublado.
Assim fazendo, vamos nos livrando
da inverdade traduzida na expressão “escrever é muito difícil.” Não é não. O problema é quebrar as amarras da
timidez, desprezar a possível crítica de terceiros e dar tratos à bola. Olhar
para uma criança, estando esta com um pincel na mão e diante de uma superfície riscável
é constatar que, a todo momento, ela cria na imaginação e passa para a
superfície tudo que lhe vai na imaginação. O importante é riscar, é encontrar o
“faz-de-conta” da Emília de Monteiro Lobato. Súbito, você que se aventurar a
escrever ao correr da pena, ou ao dedilhar contínuo das teclas, verá que
escrever é como o falar. Flui naturalmente, é só relaxar e soltar a imaginação.
Se o texto exigir, a seu ver, uma
determinada organização, aí vem a fase do burilamento. Depende da natureza e
dos objetivos do texto. Há quem escreva sem corrigir, fazendo isso apenas
quando pinga o ponto final. Outros há que vão organizando as ideias e já
procedendo a correções da organização do pensamento, bem como dos possíveis
deslizes de ordem gráfica e sintática.
Estava pensando em tal coisa
quando refletia sobre as dificuldades que as pessoas dizem encontrar no momento
em que são chamadas a colocar suas ideias na frieza da brancura do papel. A cor
não importa, interessa enfrentar os medos e tremores quando se dá importância à
opinião de terceiros.
Agora uma observação: é claro que
só escreve com clareza, precisão e propriedade quem tem por hábito ler como um
vício. Afinal, temos que buscar notícias de mundo e palavras novas a fim de que
expressemos o que vai em nossa alma. Quem tem medo de leitura tem medo da
escritura. Mal sabe que o exercício intelectual é o melhor divertimento para
alma, que também envelhece... Nem por isso as pessoas intelectualmente
preguiçosas devem deixar de lado o ato de escrever. Se aliarem, porém, as duas
práticas, encontrarão maior prazer em procurar desvendar o que vai pelo mundo
por intermédio da leitura, bem como em exprimir seus anseios, sonhos e
expectativas em relação ao mundo por meio do escrever. Boa viagem...
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