sexta-feira, 27 de setembro de 2013


Eu gosto desses “em que você está pensando” ou “diga alguma coisa”, que encabeçam a página do facebook. São expressões que estimulam o visitante a escrever alguma coisa. Agora, por exemplo, vou deslizando os dedos sobre o teclado sem saber exatamente o que vou dizer. Pouco me importa, pois sei que palavra puxa palavra e, nesses momentos, o redator deve livrar-se de qualquer censura e deixar que a coisa flua e ir registrando o que lhe vem à cachola até que, de repente, o pensamento começa a se organizar. É algo parecido com você olhar para o firmamento e começar a enxergar figuras e imagens que se revelam diversas no olhar de cada apreciador de “retratos” que se desenham no céu azul e nublado.

Assim fazendo, vamos nos livrando da inverdade traduzida na expressão “escrever é muito difícil.”  Não é não. O problema é quebrar as amarras da timidez, desprezar a possível crítica de terceiros e dar tratos à bola. Olhar para uma criança, estando esta com um pincel na mão e diante de uma superfície riscável é constatar que, a todo momento, ela cria na imaginação e passa para a superfície tudo que lhe vai na imaginação. O importante é riscar, é encontrar o “faz-de-conta” da Emília de Monteiro Lobato. Súbito, você que se aventurar a escrever ao correr da pena, ou ao dedilhar contínuo das teclas, verá que escrever é como o falar. Flui naturalmente, é só relaxar e soltar a imaginação.

Se o texto exigir, a seu ver, uma determinada organização, aí vem a fase do burilamento. Depende da natureza e dos objetivos do texto. Há quem escreva sem corrigir, fazendo isso apenas quando pinga o ponto final. Outros há que vão organizando as ideias e já procedendo a correções da organização do pensamento, bem como dos possíveis deslizes de ordem gráfica e sintática.

Estava pensando em tal coisa quando refletia sobre as dificuldades que as pessoas dizem encontrar no momento em que são chamadas a colocar suas ideias na frieza da brancura do papel. A cor não importa, interessa enfrentar os medos e tremores quando se dá importância à opinião de terceiros.

Agora uma observação: é claro que só escreve com clareza, precisão e propriedade quem tem por hábito ler como um vício. Afinal, temos que buscar notícias de mundo e palavras novas a fim de que expressemos o que vai em nossa alma. Quem tem medo de leitura tem medo da escritura. Mal sabe que o exercício intelectual é o melhor divertimento para alma, que também envelhece... Nem por isso as pessoas intelectualmente preguiçosas devem deixar de lado o ato de escrever. Se aliarem, porém, as duas práticas, encontrarão maior prazer em procurar desvendar o que vai pelo mundo por intermédio da leitura, bem como em exprimir seus anseios, sonhos e expectativas em relação ao mundo por meio do escrever. Boa viagem...

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