terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Em que estou pensando?  No medo de avião. Lá em cima, de um “prego” ninguém escapa. Sou covarde, sou medroso. Com muito orgulho. Certamente nunca morrerei em desastre de avião... A não ser que um desses monstros, por obra do acaso, caia exatamente no lugar em que eu me encontre. Se assim for, creio que muita gente morrerá comigo. Alguém, por se recusar a entrar em avião, ouviu esta sábia observação: “Meu amigo, o sujeito só morre quando for sua vez”. Aquele alguém assim argumentou: “Pois é, companheiro, pode ser que eu morra, sem ter nada a ver com as obras do destino, por ser a hora do piloto ou de algum outro companheiro de viagem.” Decididamente, não me venham também com argumentos dourados de que devo viajar porque as viagens instruem. Apoio-me na tirada, se não me engano do Marquês de Itararé, de que “se as viagens instruíssem, os marinheiros seriam as pessoas mais instruídas...”
Outro dia, alguém, desejando convencer-me da utilidade das viagens, acrescentou: “conhecer as ruínas da Grécia, deliciar-se com a vetusta arquitetura de Roma, maravilhar-se com a sobriedade aristocrática dos franceses, afora o sabor literário e filosófico que parece dimanar da terra de Voltaire, Baudelaire e Victor Hugo, é algo indescritível... Concordei e aduzi morar na melhor cidade do mundo. Se turistas acorrem de todo o lugar do mundo para Fortaleza, “a loura desposada do Sol, que dorme à sombra dos palmares”, por que teria eu que sair desta terra que tanto amo, apesar dos pesares? Sou um privilegiado, sou cearense, sou fortalezense de corpo e alma. Nascer em outro local que não Fortaleza não passa de mero acidente.
Ainda assim, acrescento nada ter contra o prazer de viajar... Há quem gosta... Sou sedentário. Se tiver que me ausentar do Brasil por algum motivo, isso farei... de navio ou qualquer outro meio de transporte que não me tire os pés da Terra...
A única viagem que não me recuso a fazer é navegar no mundo seguro da leitura... Sou, por vício e gosto, um LIVRONAUTA. Com ou sem neologismo, esse objeto cultural, que jamais será vencido por qualquer tremor tecnológico, é indispensável a quem desejar fazer viagens diferentes. Penso até, sem desejar ser original, ser ainda aquele “meio de transporte” o melhor remédio para tornar o mundo melhor.
Da minha parte, minha existência adquire sentido mais profundo assim viajando.
Quando alguém desejar ser meu companheiro de viagem, presentei-me com um bom livro...
Só não viajaremos, lado a lado, de avião...


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