sexta-feira, 17 de março de 2017

MÃE SÓ TEM UMA
Hugo Martins

Era uma data alvissareira. As mães estavam sendo homenageadas. Abriu-se, na escolinha das crianças, um concurso que consistia em escrever texto sobre as mães, em cuja estrutura deveria ser encontrada a expressão "mãe só tem uma".
Três textos foram selecionados e deveriam ser lidos em voz alta durante os festejos. Um deles seria premiado com o galardão de escritura mais original. E assim foi feito.
A primeira candidata, uma menininha de seis anos, leu sua produção. Aspeio. "Amo muito minha querida mãezinha. Ela me dá muito carinho. Ela se preocupa comigo. Olha para meu futuro e está sempre do meu lado porque "mãe só tem uma."
Estrugiram palmas, vivas; foram muitos os beijos e abraços.
A segunda candidata era outra menininha de olhar vivo e ar de quem sabe a que veio. Confiante, começou a ler seu texto. Aspeio. "Minha mãe é uma mulher forte e muito amorosa. Antes de ir para o trabalho, me deixa na escola. Ao meio-dia, ela vem me pegar e me leva para casa. Depois do almoço, fica comigo e me dá muito carinho. Sai para o trabalho e só volta à noitinha. Jantamos e, depois, vamos nos deitar. Ela conta muita historinha para mim. Sempre durmo muito feliz e sou muito feliz porque "mãe só tem uma".
Também não foram poucos os aplausos. A menininha saiu confiante.
O último candidato era um menino de ar sapeca. Entrou sorrindo no palco, deu tchauzinhos e adeuses, meteu a mão no bolso, tirou um pedaço de papel amarfanhado e começou a ler. Aspeio.
"Quando cheguei em casa á noite vindo da escola, entrei e vi que o quarto de minha mãe estava em penumbra. Ouvi vozes... Era minha mãe e um alegre amigo. Quando eu ia atravessando a sala, ouvi minha mãe: "Joãozinho, vá à geladeira e traga duas cervejas geladas". Obedeci ao comando, puxei a porta da geladeira, olhei nas prateleiras e no interior do refrigerador. Ante o que vi, gritei": Mãe, só tem uma".
Ganhou o concurso pela entonação virgulada e pela originalidade da narrativa.
Legal, né mermo?

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