CONVERSA DE SARAU
Hugo Martins
Hugo Martins
O sarau era uma reunião lítero-musical que se fazia na casa de alguém e reunia, geralmente, pessoas amantes da música e da literatura. Entre drinques, fumaça de charutos e cachimbos, ouvia-se, aqui e ali, o som de doces acordes de piano, alguém executando algum Noturno de Chopin, ou, algum mancebo, de basta cabeleira, olhos tristes e ar de desamparo, erguia-se de seu abandono e punha-se a declamar versos chorosos, de regra, produção do ultrarromantismo, texto salpicado de tom desesperado e choramingas.
A um canto da sala, uma senhora de ar matronal conversava com o escritor Machado de Assis. Parecia tratar-se de um diálogo agradável, pois o romancista, embora discretamente, deixava escapar alguns tímidos sorrisos que traduziam satisfação e prazer de ali estar trocando ideias com pessoas vivamente agradáveis.
Era lugar-comum, em salas de aula, professores sem preparo pôr em relevo notícias biográficas do criador de Dom Casmurro, ressaltando três coisas sem nenhuma importância da vida do escritor. A alguns "mestres" parecia que tais coisas teriam larga influência no tom literário de Machado, sobretudo seus niilismo e ceticismo em relação ao bicho homem. Esqueciam de pôr em relevo o psicologismo do grande Machado e sua maestria em desencavar o que vai no mais profundo dos escaninhos da alma do homem para dizer aos ingênuos alunos: " o pessimismo de Machado de Assis se deve ao fato de ser ele mulato, gago e padecer de epilepsia". Coisa de leitor que não leu o autor, desconhecendo totalmente seu fazer literário e, por isso mesmo, arvorando-se no direito de dizer tolices e asneiras dignas de ignorantões de meia tigela. Coitados dos alunos... Ter um desses como professor, logo de literatura, é ter sido fadado a pensar que a disciplina não guarda importância alguma na formação intelectual do alunado. Digo com a juventude: "tipo assim, ninguém merece, brother..."
Voltando àquele sarau. Em meio à conversa, a senhora com fumos de matrona olha para Machado de Assis e, delicadamente, diz: "interessante, sr. Machado, todos desta cidade do Rio de Janeiro dizem que o senhor é gago, e eu não notei no senhor nada do que dizem." O escritor carioca olhou-a e rebateu: " minha cara senhora, engraçada é a vida: ouvi de alguns habitantes do Rio de Janeiro dizerem que a senhora é extremamente indelicada, usa brilhantes ferraduras e é burra como uma porta. E acabo de confirmar tão dura verdade." E se retirou como um cavalheiro...
É isso.
A um canto da sala, uma senhora de ar matronal conversava com o escritor Machado de Assis. Parecia tratar-se de um diálogo agradável, pois o romancista, embora discretamente, deixava escapar alguns tímidos sorrisos que traduziam satisfação e prazer de ali estar trocando ideias com pessoas vivamente agradáveis.
Era lugar-comum, em salas de aula, professores sem preparo pôr em relevo notícias biográficas do criador de Dom Casmurro, ressaltando três coisas sem nenhuma importância da vida do escritor. A alguns "mestres" parecia que tais coisas teriam larga influência no tom literário de Machado, sobretudo seus niilismo e ceticismo em relação ao bicho homem. Esqueciam de pôr em relevo o psicologismo do grande Machado e sua maestria em desencavar o que vai no mais profundo dos escaninhos da alma do homem para dizer aos ingênuos alunos: " o pessimismo de Machado de Assis se deve ao fato de ser ele mulato, gago e padecer de epilepsia". Coisa de leitor que não leu o autor, desconhecendo totalmente seu fazer literário e, por isso mesmo, arvorando-se no direito de dizer tolices e asneiras dignas de ignorantões de meia tigela. Coitados dos alunos... Ter um desses como professor, logo de literatura, é ter sido fadado a pensar que a disciplina não guarda importância alguma na formação intelectual do alunado. Digo com a juventude: "tipo assim, ninguém merece, brother..."
Voltando àquele sarau. Em meio à conversa, a senhora com fumos de matrona olha para Machado de Assis e, delicadamente, diz: "interessante, sr. Machado, todos desta cidade do Rio de Janeiro dizem que o senhor é gago, e eu não notei no senhor nada do que dizem." O escritor carioca olhou-a e rebateu: " minha cara senhora, engraçada é a vida: ouvi de alguns habitantes do Rio de Janeiro dizerem que a senhora é extremamente indelicada, usa brilhantes ferraduras e é burra como uma porta. E acabo de confirmar tão dura verdade." E se retirou como um cavalheiro...
É isso.
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