terça-feira, 15 de agosto de 2017

HISTÓRIA
Hugo Martins
Ontem, sábado, dia cinco de julho, trafegava eu, a bordo de um táxi, pela Avenida Treze de Maio, nas proximidades do 23 BC. Na pracinha em frente ao quartel, estava postado um sujeito de longas barbaças, bermuda jeans, blusa estampada, óculos escuros, que segurava, com ambas as mãos, um grande cartaz, alçado acima da cabeça, em cuja superfície lia-se: SE VOCÊ CONCORDA COM INTERVENÇÃO MILITAR, BUZINE. Parado, o motorista aguardava o comando do semáforo. Até a hora em que o táxi partiu, não ouvi o toque de nenhuma buzina, apesar da gestualidade agressiva do tal sujeito de longas barbas.
A nosso ver, intervenção militar lembra os horrores e desmandos das ditaduras, que nunca são moles: caçam-se direitos, eliminam-se os remédios constitucionais, que garantem as liberdades públicas, batem, prendem, arrebentam, amordaçam e desrespeitam, em todos os quadrantes, todo aquele que demonstrar discordar do regime.
Nosso país já experimentou, em sua História, três ditaduras: a de Floriano, a Getulista e a Redentora. Todas elas foram lesivas ao povo brasileiro e serviram de lição. Se hoje respiramos a democracia dos estados democráticos de direito, devemos às destinações históricas, fruto do natural pendor do homem para cortar amarras e respirar a liberdade. Pensa torto quem põe fé nas ditaduras onde quer que ela se manifeste. Sempre restarão dores, que permanecem por muito tempo na historicidade dos povos que tiveram a infelicidade de vivenciar os tempos negros das ditaduras.
Educação política é a solução. Nada a ver com política partidária, mas a provinda dos atos mais comezinhos do dia a dia, sobretudo daquelas ações em que se respeita o direito do outro seja o do professor que ministra sua aula, seja nas relações de consumo, seja no repasse de atitudes positivas aos filhos, seja não intentar passar a perna no outro, seja desempenhando com a máxima responsabilidade os diversos papeis sociais que executamos.
Entre uma ditadura linha dura e uma democracia neófita e, às vezes, desajeitada, esta ainda constitui melhor escolha. "Natura non facit saltus" (A natureza não dá saltos), segue sua destinação, observando ritos e ritmos.
Quem sabe, diante do que vem experimentando, não venha o povo brasileiro a votar melhor. A vida política, isto é, viver em sociedade, é semelhante ao organismo físico. Os quistos e tumores nada mais são que manifestações do organismo (físico ou social) ensaiando expulsar aquilo que não se coaduna com seu equilíbrio... Aguardemos, pois, o andar da História. Um dia, as coisas mudarão para melhor, sobretudo, quando cada um de nós fizer o que lhe cabe.
Namastê.

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