PITADINHA REFLEXIVA.
Hugo Martin
Inicei a escritura do presente texto à uma e meia da manhã. Dando tratos à bola, à busca de assunto, veio-me à cachola a formação escolar, que recebia a juventude brasileira antes da Redentora de 1964.
Em primeiro lugar, finda a alfabetização, o estudante enfrentava cinco anos no Curso Primário. Concluído este, ocorria a batalha dos Exames de Admissão ao Ginásio. Naquele tempo, a escola pública era de tal qualidade, que o Liceu do Ceará ombreava com a excelência do Colégio Pedro II no Rio de Janeiro. Ser professor de um desses estabelecimentos não era para o bico de "dadores de aula". Além do Liceu, havia o Colégio Municipal, ali na Barão do Rio Branco, ao lado da igreja do Carmo (hoje é um museu), e a Escola Normal, estabelecimento que formava normalistas, professoras preparadas para dar aulas até o quinto ano primário. O mais eram as escolas particulares, algumas chamadas de escolas "pagou passou".
No ginásio, o estudante enfrentava da primeira à quarta série. Ao fim destes nove anos, o aluno poderia optar por fazer o Curso Científico ou o Curso Clássico. Ao escolher o primeiro, o sujeito podia tomar o rumo das chamadas ciências físico-matemáticas ou o das ciências biológicas. Quem desse preferência ao Curso Clássico estava de olho nas chamadas ciências humanas. Se, no Curso Científico, eram disciplinas obrigatórias, além do núcleo comum, a Física, a Química e a Biologia, no Clássico, eram matérias obrigatórias a Filosofia, a Sociologia e a História. A aplicação das provas aos exames vestibulares observava essa peculiaridade. Para que estudar Física quem ia cursar Direito, Letras, Economia, por exemplo? Para que estudar Sociologia quem pretendia cursar, por exemplo, Medicina, Odontologia ou Farmácia?
A coisa era tão lógica, que os pensadores da educação oficial do país já apontam para direcionamento mais ou menos semelhante ao aqui descrito. Nihil novi sub sole (Nada de novo sob o sol). Se hoje existe uma tal nona série é como que uma devolução de um ano surripiado quando o aluno, saído da quarta série, já ingressava no chamado primeiro grau maior, pois a coisa só ia até a oitava série.
Não se trata do "naquele tempo era melhor". O pior é que era. Se hoje, o indivíduo dispõe de universidades públicas em maior número, além das faculdades "caça-níqueis" e bodegas pedagógicas em toda esquina, nos anos setenta, no Ceará, só havia a Universidade Federal do Ceará e alguns cursos isolados da hoje Fundação Universidade Estadual do Ceará (FUNECE). Ingressar na Universidade era uma batalha que só, como dizia o personagem Pedro Pedreira, da Escolinha do Professor Raimundo: "só enfrentava quem aguentava". Tal como as leis da Economia, demanda excessiva, oferta minguada.
Hoje, não se trata de "democratização do saber", no jargão de pedagogos, mas de democratização do ingresso, e histórico complexo bacharelesco e "doutorização" que o povo brasileiro alimenta em sua cultura histórica. Determinados cursos deveriam receber a denominação de institutos, formadores de estudiosos, dali saídos com a chancela de profissionais de apreciável e excelente formação técnica.
É o chamado "lé com lé; cré com cré" (leigo com leigo; clérigo com clérigo).
Alguns, voltados para o fazer; outros, para o pensar. Desse modo, o "bachareguismo" seria, aos poucos, eliminados da tola mentalidade de alguns brasileiros, e se instalariam áreas ocupadas pelos "alguns" ou pelos "outros".
Longe de nós o preconceito gratuito de quem pensa pequeno. Só uma maneira particular de contemplar a questão.
Quem quiser diga mais..., gastando, pelo menos, sessenta minutos como eu fiz.
Em primeiro lugar, finda a alfabetização, o estudante enfrentava cinco anos no Curso Primário. Concluído este, ocorria a batalha dos Exames de Admissão ao Ginásio. Naquele tempo, a escola pública era de tal qualidade, que o Liceu do Ceará ombreava com a excelência do Colégio Pedro II no Rio de Janeiro. Ser professor de um desses estabelecimentos não era para o bico de "dadores de aula". Além do Liceu, havia o Colégio Municipal, ali na Barão do Rio Branco, ao lado da igreja do Carmo (hoje é um museu), e a Escola Normal, estabelecimento que formava normalistas, professoras preparadas para dar aulas até o quinto ano primário. O mais eram as escolas particulares, algumas chamadas de escolas "pagou passou".
No ginásio, o estudante enfrentava da primeira à quarta série. Ao fim destes nove anos, o aluno poderia optar por fazer o Curso Científico ou o Curso Clássico. Ao escolher o primeiro, o sujeito podia tomar o rumo das chamadas ciências físico-matemáticas ou o das ciências biológicas. Quem desse preferência ao Curso Clássico estava de olho nas chamadas ciências humanas. Se, no Curso Científico, eram disciplinas obrigatórias, além do núcleo comum, a Física, a Química e a Biologia, no Clássico, eram matérias obrigatórias a Filosofia, a Sociologia e a História. A aplicação das provas aos exames vestibulares observava essa peculiaridade. Para que estudar Física quem ia cursar Direito, Letras, Economia, por exemplo? Para que estudar Sociologia quem pretendia cursar, por exemplo, Medicina, Odontologia ou Farmácia?
A coisa era tão lógica, que os pensadores da educação oficial do país já apontam para direcionamento mais ou menos semelhante ao aqui descrito. Nihil novi sub sole (Nada de novo sob o sol). Se hoje existe uma tal nona série é como que uma devolução de um ano surripiado quando o aluno, saído da quarta série, já ingressava no chamado primeiro grau maior, pois a coisa só ia até a oitava série.
Não se trata do "naquele tempo era melhor". O pior é que era. Se hoje, o indivíduo dispõe de universidades públicas em maior número, além das faculdades "caça-níqueis" e bodegas pedagógicas em toda esquina, nos anos setenta, no Ceará, só havia a Universidade Federal do Ceará e alguns cursos isolados da hoje Fundação Universidade Estadual do Ceará (FUNECE). Ingressar na Universidade era uma batalha que só, como dizia o personagem Pedro Pedreira, da Escolinha do Professor Raimundo: "só enfrentava quem aguentava". Tal como as leis da Economia, demanda excessiva, oferta minguada.
Hoje, não se trata de "democratização do saber", no jargão de pedagogos, mas de democratização do ingresso, e histórico complexo bacharelesco e "doutorização" que o povo brasileiro alimenta em sua cultura histórica. Determinados cursos deveriam receber a denominação de institutos, formadores de estudiosos, dali saídos com a chancela de profissionais de apreciável e excelente formação técnica.
É o chamado "lé com lé; cré com cré" (leigo com leigo; clérigo com clérigo).
Alguns, voltados para o fazer; outros, para o pensar. Desse modo, o "bachareguismo" seria, aos poucos, eliminados da tola mentalidade de alguns brasileiros, e se instalariam áreas ocupadas pelos "alguns" ou pelos "outros".
Longe de nós o preconceito gratuito de quem pensa pequeno. Só uma maneira particular de contemplar a questão.
Quem quiser diga mais..., gastando, pelo menos, sessenta minutos como eu fiz.
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