Hugo Martins
A palavra flor e a própria flor sempre se revelam ao observador grávidas de uma força semântica, que mistura brandura, ternura, singeleza e pureza. Não é à toa que o próprio Cristo, como noticia São Mateus, no seu Evangelho, escolheu os lírios do campo para tecer a bela alegoria da força da simplicidade, que se agiganta e se coloca acima de qualquer glória, mesmo a do sábio filho do rei Davi.
O principezinho de Antoine Saint-Exupéry cuidava de uma delas num dos planetas a que chegou. Enquanto o piloto do avião, que sofrera uma pane, tentava consertar o motor do pássaro de aço, o príncipe de cabelos amarelos esvoaçantes filosofava sobre a única flor que possuía. Dizia temer que algum carneiro a devorasse, apesar dos quatro espinhos que ela mantinha no fino caule e lhe podiam servir de defesa. Aliás, sua teoria sobre espinhos é que estes são a única maldade de uma flor.
Furtei do pequeno príncipe e perfilhei a mais bela lição sobre o amor que se pode ter por alguém. Não vou traduzir temeroso de tropeçar em algum esquecimento. Por isso, transcrevo as palavras dele, aspeando-as: “Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões e milhões de estrelas, isso basta para que seja feliz quando a contempla. ” Assim também penso de minha única flor, minha flor.
Carlos Drummond de Andrade, no poema A Flor e a Náusea, tece um discurso deplorando a violência, o desamor, o desencanto e a frieza d´alma nos dias que correm. Ante a dureza dos tempos modernos, marcados pela crueza dessa realidade, o poeta itabirano conseguiu um flagrante: viu, de súbito, surdir, do áspero negrume do asfalto, uma flor e registrou nesses versos; “Uma flor nasceu na rua. Uma flor ainda desbotada. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.”
Assim é minha flor. Única. Com espinhos, bem certo. Ante ela, dobro-me numa espécie de reverência. E ela é para mim “aquela flor”, plagiando o principezinho, para quem, em meio a milhares de outras, meus olhos se voltam e sempre se enchem de encantamento e êxtase e, tal como a flor de Drummond, rompe a carapaça do meu ser, aparentemente duro e áspero, e hiberna nos refolhos do meu coração.
Toda flor é mágica. Não a defino. Vinicius de Moraes já fez isso, referindo-se à rosa, dizendo que: “uma rosa é uma rosa, simplesmente, e nada mais". Assim são as flores que amamos: indefiníveis em sua singeleza.
O principezinho de Antoine Saint-Exupéry cuidava de uma delas num dos planetas a que chegou. Enquanto o piloto do avião, que sofrera uma pane, tentava consertar o motor do pássaro de aço, o príncipe de cabelos amarelos esvoaçantes filosofava sobre a única flor que possuía. Dizia temer que algum carneiro a devorasse, apesar dos quatro espinhos que ela mantinha no fino caule e lhe podiam servir de defesa. Aliás, sua teoria sobre espinhos é que estes são a única maldade de uma flor.
Furtei do pequeno príncipe e perfilhei a mais bela lição sobre o amor que se pode ter por alguém. Não vou traduzir temeroso de tropeçar em algum esquecimento. Por isso, transcrevo as palavras dele, aspeando-as: “Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões e milhões de estrelas, isso basta para que seja feliz quando a contempla. ” Assim também penso de minha única flor, minha flor.
Carlos Drummond de Andrade, no poema A Flor e a Náusea, tece um discurso deplorando a violência, o desamor, o desencanto e a frieza d´alma nos dias que correm. Ante a dureza dos tempos modernos, marcados pela crueza dessa realidade, o poeta itabirano conseguiu um flagrante: viu, de súbito, surdir, do áspero negrume do asfalto, uma flor e registrou nesses versos; “Uma flor nasceu na rua. Uma flor ainda desbotada. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.”
Assim é minha flor. Única. Com espinhos, bem certo. Ante ela, dobro-me numa espécie de reverência. E ela é para mim “aquela flor”, plagiando o principezinho, para quem, em meio a milhares de outras, meus olhos se voltam e sempre se enchem de encantamento e êxtase e, tal como a flor de Drummond, rompe a carapaça do meu ser, aparentemente duro e áspero, e hiberna nos refolhos do meu coração.
Toda flor é mágica. Não a defino. Vinicius de Moraes já fez isso, referindo-se à rosa, dizendo que: “uma rosa é uma rosa, simplesmente, e nada mais". Assim são as flores que amamos: indefiníveis em sua singeleza.
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