terça-feira, 15 de agosto de 2017

“PENSAR, PROFESSOR, PENSAR.” (“Ninguém merece”)
Hugo Martins
Em que estou pensando? Nas eleições de 2018. No sorriso ensaiado, nos ademanes e salamaleques ensaiados da súcia de políticos sequiosos por alcançar o poder, não para trabalhar em prol da melhoria da vida de todos, mas para, cada vez mais, por manobras insidiosas, encher as próprias burras e arrumar a parentalha. Na máxima importância do voto quando todos se dirigem às urnas. Na ignorância reinante acerca do voto, arma do cidadão, para mudar, escolhendo outros e não permitindo a volta dos sicários e ladrões que saquearam, durante o exercício do mandato, o erário e descumpriram as mínimas promessas feitas em palanques. No que diz a Constituição Federal no parágrafo único do art. 1º, quando reza que “todo o poder emana do povo...”. Com efeito, os eleitos recebem delegação do povo com o fim de representá-lo nas Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas, Congresso e Poder Executivo. Se o eleito se revela salafrário, mentiroso, corrupto, cínico e desavergonhado, não se podem suscitar dúvidas: o povo está muito bem representado. É o lógico. Penso no lugar comum batido e rebatido de que a educação é a grande arma para promover mudanças. Na preocupação da classe política quando se anuncia alguma melhoria salarial para a abnegada e teimosa classe dos professores. Nesses momentos, aqueles senhores logo sacam o argumento de que o Município ou o Estado podem quebrar... Nas facilidades com que a classe política entretece projetos de lei para aumentar seus próprios subsídios. Nesse exato momento, penso no livro A Arte de Furtar, atribuído ao jesuíta/orador Padre Antônio Vieira, espécie de manual infalível nessa arte em que a classe política é tão bem versada. Em convidar as pessoas a proceder à leitura desta obra satírica, sobretudo se alimentam alguma pretensão em candidatar-se a algum cargo político... Em como é inútil qualquer discurso, deblaterando contra o teimoso vírus da corrupção, historicamente entranhado na alma do povo brasileiro... Estou pensando, ainda, em que não se deve descrer da educação como medida profilática na redenção dos povos. Em que ela pode prevenir desgraças, afugentar os maus, instaurar a paz e carrear mais bem-estar para a humanidade. Estou pensando, por fim, que, hoje, sinto-me menos cético em relação aos homens bons, ao mesmo tempo em que alimento um niilismo imorredouro em relação à classe política brasileira... A História está aí, à vista de todos...
A reflexão brotou porque hoje, à noite, um bando de políticos, em cujo rosto se estampava um semblante de descaramento, tecia comentários evidentes à onda de corrupção que assola o país, acrescentando aos discursos aquela nota batida de que eles ali se apresentavam com uma proposta inédita de mudar os rumos do país e coisa e tal e coisa e loisa. A mesma cantilena monocórdia. Nome do partido: PODEMOS. Por uma questão de coerência, deveria se chamar FODEMOS, verbo que pode pedir o objeto direto “o povo brasileiro”, que não se manca, é mal-educado, desmemoriado e não saca a importância do voto de qualidade, aquele desvinculado de qualquer objetivo pragmático, a não ser a escolha sincera e livre no momento de depositar o voto na urna.
O diabo é a porra da educação... Aí são outros quinhentos. “Tipo assim”. “Ninguém merece”.

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