quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Datas

 
Nos meados de fevereiro, serão comemorados os noventa anos da Semana de Arte Moderna. Em 1922, cem anos depois da independência política em relação a Portugal, um grupo de abnegados artistas também iniciou nossa libertação dos modelos artísticos alienígenas. Não foi uma negação absouta, que diga o movimento antropofágico de Oswald de Andrade, mas um abrasileiramento da nossa cultura, sobretudo no campo da literatura, na temática, na sintaxe, no vocabulário, na valorização da presença do homem brasileiro no texto literário. Embora Lobato, Lima Barreto e Euclides da Cunha tenham, nesse sentido, dado os primeiros passos nas duas primeiras décadas do século XX, foi com a Semana que as Belas-Artes, no Brasil, foram efetivamente apimentadas com o toque de brasilidade, mais tarde tão presente no chamado romance de 30. Não é difícil ao leitor perceber isso em Jorge Amado, Rachel de Quiroz, José Lins do Rego e Graciliano Ramos. Aqui temos uma documentação e uma denúnica das mazelas por que passava o povo na era Vargas perpassada por uma linguagem de sabor bem brasileiro. Com exceção de Graciliano, com seu estilo escorreito e preciso, os demais utilizaram a sintaxe e o vocabulário coloquial do povo, sem "macaquear a sintaxe lusíada" a que se refere Manuel Bamdeira no poema Evocação do Recife. Eis uma data que certamente deverá ser lembrada. Basta de carnavalização, sociedade de espetáculo e idiotização elevada à enésima potência da idiotização, provinda de Big Brother e outras imbecilizações do mesmo feitio.
 
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário