quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

reflexões

por Francisco Hugo Barroso Martins Junior, sábado, 21 de Janeiro de 2012 às 01:51
Escrever texto de cunho referencial não requer inspiração. Assim, para acriação do texto de natureza jornalística, científica e até mesmo, o exercíco redacional em sala de aula basta aprender a pensar. A propósito, Othon M. Garcia, no livro Comunicação em Prosa Moderna, coloca como subtítulo da obra a frase Aprenda a Escrever Aprendendo a Pensar. Não conheço obra mais apropriada para quem pretende, com o exercício diuturno da leitura, lidar com a escritura do texto não poético. Aliás a palavra poesia, derivada do grego, significa, ao pé da letra, FAZER. Assim, há poetas que escrevem sob o efeito de inspiração ou de transpiração. No primeiro caso, a poesia vem em jorro; no segundo, resulta de trabalho, de esforço, de e busca incontida da melhor forma de dizer. Manuel Bandeira diz, no seu Itinerário de Pasárgada, que muitas vezes perdia o poema por não dispor na hora de um lápis ou caneta para registrar o que seu momento de captar as forças líricas do mundo. Já João Cabral dizia que lhe dessem o tema que ele fazia o poema. Se este poetiza brigando com a busca da forma, o primeiro cria o texto de uma só canetada para, depois, retirar os excessos e senões. O poema Vou-me embora pra Pasárgada, diz o poeta pernambucano que só o ultimou depois de sete anos. Diz ele que ,certo dia, lendo a Ciropédia, experimentou uma grande vontade de se matar e, no momento, escreveu o primeiro verso do seu conhecido poema: Vou-me embora pra Pasárgada. O restante do poema só se fez, como já salientamos, sete anos depois, quando o poeta experimentava a mesma sensação de dar cabo da propria existência. O poema se fez num átimo. Poesia é , pois, fazer, buscar, brigar com a expressão, revelar o mundo por uma perspectiva estética. Há pessoas que possuem uma concepção errônea da poesia, julgando que esta deve exprimir melancolia advinda de choques com o mundo. Nesse sentido, Drummond diz, com muito jeito, que considera esse negáocio de fazer poesia algo de muito sério. E completa, acrescentando que rotula de falso quem verseja por falta de dinheiro, dor de cotovelo e momentâneas tomadas com as forças líricas do mundo. Poetar é interpretar o mundo, o homem, sua histoticidade, assim como fazem os filósofos. Aliás, muitos poemas, dizem muito mais acerca do mundo que muitos tratados de filosofia... É isso aí...

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