sexta-feira, 2 de junho de 2017

POIS É.

Hugo Martins

Ouço notícia em jornal televisivo no mínimo engraçada: alguém pede ao amigo fiar uma compra a crédito; outro roga caução ou garantia fiduciária  num empréstimo bancário; aquele solocita fiança em aluguer de imóvel... Há deles que pedem emprestado o cartão de crédito. Resultado: dezessete por cento dos devedores encrencados com os órgãos de proteção ao crédito ali  estão por se mostrarem garantidores solidários aos amigos, "mui amigos."
Os filósofos de mesa de bar fornecem conselho sábio a quem não quiser se tornar vítima em tais arapucas: em primeiro lugar, analisar fundamente o caráter do solicitador e rezar aos céus que sua análise encontre guarida no seu santo de devoção; em segundo lugar, usar de explícita franqueza, daquelas que produzem na alma do golpista falsa indignação. Como funciona o segundo passo? Olhar para o descarado e dizer, rindo, sem tirar os olhos dele: "meu nobre amigo, não fio, não empresto, tampouco dou caução". Ele vai perguntar por que tanta indelicadeza. Então a "quase vítima" contrapõe: "pelo contrário, recorro a toda gentileza possível que está na  minha alma". "Por quê?" "Ora, ora, ora, meu caro", dirá a "quase vítima": "porque não quero perder parte do meu patrimônio, tampouco sua amizade." Quem assim age é corajoso, sincero e perspicaz conhecedor da alma dos pilantras...
Este escrevinhador, do alto de sua ingenuidade e boa vontade, nunca frequentou cadastros de proteção ao crédito nem caiu numa daquelas esparrelas. Hein? Lembrei: certa feita, um grande "amigo" me fez cair nas malhas de uma conversa bonita, convencendo-me a emprestar-lhe dada quantia, que me seria rembolsada no mês seguinte. Recebi? Sim. Mas não no período assinalado. Fui reembolsado, no curto espaço de apenas quatro anos.
Nada de trágico ou cômico em tudo isso, mas tragicômico: meu "mui amigo" intrigou-se comigo de sangue a fogo...
É mole? A partir de então, passei a observar os conselhos daquele filósofo. Estou me dando bem.

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