MEUS DOIS AMORES
Hugo Martins
Sempre gostei da aura aparentemente misteriosa que sobrepaira às chamadas línguas clássicas. Hoje estou, há doze meses, NAMORANDO a língua grega, sua estrutura morfossintática, a riqueza de sua mitologia, afora o teatro, a filosofia, desde seus primórdios com Tales de Mileto, passando por alguns pré-socráticos, por Sócrates, Plarão e Aristóteles, bem como pelos Cínicos, os Epicuristas e os Estoicos.
Bom referenciar e reverenciar as portentosas Epopeias de Homero, A Ilíada e a Odisseia, fontes de encanto em que se bebe de tudo. A primeira narra a "fúria de Aquiles", tema que trata de uma partilha de guerra, em que Menelau, o rei espartano, tenta ludibriar Aquiles, tomando "posse" de Briseida. Por isso, Aquiles se retira do conflito entre gregos e troianos, o que significa apreciável prejuízo para as hordas gregas... Mas o heroi volta aos combates porque Heitor, o troiano, para mim homem de alma nobilíssima, mata Pátroclos, maior amigo de Aquiles. Este vinga o amigo querido. Numa luta justa, mata Heitor e arrasta, em sua carruagem, o corpo em torno da cidade de Troia, acontecimento presenciado do alto das muralhas da cidade por Príamo, pai de Heitor, a mãe Hécuba e a esposa de Heitor, a bela Andrômaca. Depois de todo esse desfilar de acontecimentos trágicos, vê-se, ao cair da noite, o velho Príamo, sozinho, dirigir-se à tenda de Aquiles. Fora pedir o corpo do filho, que se encontrava no poder de Aquiles. Olhando o rosto sofrido do pai do herói Troiano, Aquiles se apiada (ou se apieda) e, tomado de profunda comoção, entrega o cadáver... No dia seguinte, ocorre o funeral de Heitor. Assim Homero fecha a Ilíada.
A Odisseia trata da volta de Ulisses para a ilha de Ítaca onde o esperam sua mulher Penélope e o filho comum Telêmaco. Passou vinte anos fora de casa, dez na Guerra de Troia e dez na volta para casa, perseguido pelo deus Posídon... As causas e os resultados de tudo isso estão no entrecho da obra, cujo título advém do nome do heroi, Odisseu...
Quanto à LÍNGUA LATINA, nosso NAMORO é mais longo, é para sempre, é amor verdadeiro, que não experimenta percalços. Também, por ela, nutro um amor interesseiro, mas sincero, sem mentiras ou subterfúgios. Sou seu gigolô, exploro-a, mas ela sabe dos meus propósitos, pois em muito auxilia a mim e aos outros na compreensão e explicação de alguns fatos linguísticos que outras ciências da linguagem não conseguem esclarecer. Temos nesse belo idioma uma Epopeia - A Eneida- cujo heroi é Enéas, o qual, fugindo da Guerra de Troia, já tomada pelas chamas, dali sai com o pai, Anquises, e o filho Ascânio. Botou-se para Roma, de cuja História participa intensamente, e toma parte em episódios que dão a justa medida de sua vocação na participação de atos heroicos. A autoria da obra é de Virgílio, também poeta lírico dos melhores, que escreveu a obra como espécie de exaltação à História de Roma. O pedido fora, nesse sentido, feito pelo imperador Otávio Augusto.
A arte de construir o discurso persuasório, a arte retórica, cabe a Cícero, que fazia parte do senado e promovia, como advogado, defesas memoráveis nos tribunais, entre as mais conhecidas, temos As Catilinárias e As Verrinas. Além disso era político atilado, conhecedor das tricas e futricas da vida política. Marco Antônio mandou assassiná-lo. Ler Cícero é sorver a linguagem castiça dos clássicos, é sorver conhecimento, é aprender a construir raciocínios claros, por isso coesos e coerentes. Aqui fica a sugestão de leitura de uma de suas obras, DE AMICITIA ( Sobre a Amizade), versão bilíngue.
A filosofia romana, tal como a mitologia, é um pasticho do pensamento grego, isto é, uma espécie de seguimento quase servil num e noutro campo. Ou melhor, uma continuidade que se revela na linha de pensamento de algumas escolas filosóficas gregas, com especialidade o Estoicismo e o Epicurismo. Quanto à mitologia, os deuses são os mesmos, só mudam o nome. Nos exemplos a seguir, o primeiro é grego, e o segundo, o correspondente em Roma: Zeus, Júpiter; Atena, Minerva; Posídon, Netuno; Afrodite, Vênus; Dioniso, Baco; Eros, Cupido; Hermes, Mercúrio... E aí vai...
É tudo muito lindo. E eu AMO TUDO ISSO...
No próximo texto , vamos nos ater às belezas linguísticas e seus reflexos na língua portuguesa. Também AMO TUDO isso...
Reitero: amo as línguas e cultura clássicas, FOREVER (acho que é assim mesmo em inglês...)
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