O GURU XIV
Hugo
Martins
A indignação com a classe
política é algo antológico, que faz o povo abrir a gorja hiante e soltar sua
grita e protestos contra a desfaçatez e o cinismo de alguns sujeitinhos que, à
época de eleições, abrem seu baú de mentiras e, em meio a sorrisos amarelos e
pancadinhas no ombro, intentam angariar votos de eleitores ingênuos e
desavisados. Só que, depois desse preâmbulo teatral, vem à tona a verdade, e os
eleitores ficam a ver navios mesmo nas suas necessidades mais comezinhas.
Fiz a reflexão e enviei-a a Ridendo Sic, que
não titubeou e assestou suas baterias reflexivas para comentar um fato
ultimamente ocorrido em Fortaleza, comprovando nossa tese. Ouçamo-lo.
Começou
Ridendo lembrando o fato de que, nas redes sociais, boa parte da população
cearense lança seu protesto contra atos do chefe do executivo do estado do
Ceará que, para abrilhantar a inauguração de um Centro de Convenções trouxe, a
peso de ouro, R$ 3.000.000,00 (três) milhões de reais, o tenor espanhol Plácido
Domingo. O mais grave, porém, é que, para o convescote, só foi convidado um
número reduzido de privilegiados amigos do rei, os quais se regalaram e se
empanturraram com bebidas e pratos os mais refinados, tudo financiado pelos
tributos arrancados à bolsa do povão.
Notícias
há que, em São Paulo, o tenor se apresentou para cento e cinquenta mil pessoas,
que ouviram Plácido Domingo interpretar músicas do compositor Manuel Alejandro
(El Grito da América, Serenata Tapatia), bem como do arranjador Lee Holdridge
(Sonhadores de Espanha, Malaguena e Siboney). Quanto a nós, cearenses, somos
brindados com a antimúsica desvirginadora de tímpanos e os gritos histéricos de
intérpretes mal-ajambrados, coadjuvados por moçoilas louras de farmácia e com
as vergonhas de fora, que, com aqueles, conseguem assassinar,
irremediavelmente, a música genuína do Nordeste.
Fica
a pergunta: por que não fez ele como sua amiga e mágica prefeita, que
certamente não elegerá nenhum porte sem lâmpada, mas pelo menos, nas festas de
fim de ano, traz pão e circo para o povo, superfaturando cachês e correndo às
léguas da ação do Ministério Publico? Nela, pelo menos, vê-se certa coerência
politiqueira. Quanto a ele, que, em conluio com a detestável figura do irmão,
também lança mão de todo expediente para eleger candidato sem expressão e sem
préstimo, derrama nos meios de comunicação propaganda de seus feitos e
intenções que, bem se sabe, não passam de balela e mistificação, traduzidas em
“conversa pra boi dormir.” A propaganda
nazista do Ministro de Adolf Hitler,
Joseph Goebbels, perde longe do jogo de convencimento daquele rapazinho a
impressão de que no Ceará tudo corre a mil maravilhas. Suficiente abster-se das
propagandas e olhar a realidade: escolas entregues às baratas; hospitais
públicos abarrotados de pacientes atendidos em corredores superlotados;
segurança pública praticada por meganhas, envergando fulgurantes fardas e
passeando pelas ruas desprotegidas da cidade a bordo de carros ultraconfortáveis,
enquanto a bandidagem, leve, livre e solta, pratica toda sorte de crimes contra
a população enclausurada nas suas casas ou temendo sair às ruas, premida pela
eventual e quase certa agressão, partida de toda sorte de sicários... Onde está
o dinheiro? pergunta o compositor da marchinha carnavalesca. E ele mesmo
responde “o gato comeu, o gato comeu”. Traduzindo: para onde vão mesmo os
tributos pagos pela população?
Para
Ridendo, não foi o gato que comeu, mas as ratazanas, que os desviam para
custear viagens de recreio e financiar festins a que o povo não pode
comparecer, pois seus mínimos direitos são solapados pela pouca vergonha e pela
rapinagem da classe política, pós-graduada na arte de furtar sem se importar.
Arte
também é alimento, e dos melhores. Um pouco dela alimenta o espírito e
engrandece a alma. Não bastam o circo e o pão, há de se insistir na necessidade
da arte num mundo tão cheio de mentiras e desenganos.
Parodiando
um programa global, vale a pena refletir sempre para que expurguemos dos redis
políticos ratos, lobos et caterva.
Ridendo
Sic ressaltou, ainda, que se apoiou no art. 5º, IV da Constituição da República
do Brasil, ainda em vigor, para expender o juízo em pauta.
Ainda
bem...
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