sábado, 12 de novembro de 2016

Cara amiga, de fato recebo, com muita frequência e insistência, reiterados convites para estabelecer, aqui no Facebook, laços de "amizade" com fulanos e sicranos. Tentei manter duas amigas, ex-alunas do curso ginasial, mas não me foi possível continuar: pouco diálogo, quase nenhum, e muitas postagens de matérias de cunho religioso, acompanhadas do discurso das conversões, sem contar com o subliminar imperativo (magister dixit) de que a pessoa conhece com profundidade e incontestável certeza a natureza das divindades e santos a que se refere. Afora o discurso louvaminheiro acerca de novéis padres de fala sibilina, hoje transformados, pela mágica gosmenta e visguenta dos meios de comunicação de massa, em verdadeiros apóstolos dos novos e desesperantes tempos de muito sofrimento e muita conversa fiada. Logo, logo, percebi que ambas se enquadravam no esquema das mesmices tão encontradiças por essas paragens. Afastei-as e afastei-me. Aqui estou sozinho, insulado, ilhado na vã aparência das coisas. Na verdade, encontro-me, aqui neste espaço, tal qual Inês de Castro, posto em sossego. E, sem deixar, é claro, de fazer meus périplos pelo perfil de pessoas que conheço, vou exercitando a nobre arte de escrever, uma das formas legítimas de proceder a leituras de mundo.
Assim, aproveito o espaço do Face, no início da página, em que se incita o sujeito a escrever algo de dua própria lavra, para escrever meus textos, bons ou maus, curtos ou longos, maçantes ou agradáveis. Importa a mim escrevê-los. Em seguida, transponho-os para um blogue onde já registrei mais de quatrocentas publicações...
Alguém me pergunta porque não faço deles uma seleção e publico um livro. Digo que isso é assunto que não me passa pela cabeça, pois considero tal veleidade inútil vaidade. Há muito papel rabiscado no mundo; há muitas legiões de néscios garatujando textos como que plagiando escritores famosos, muitas vezes, até mesmo copiando-os vil e desavergonhadamente. Basta. Não tenho talento para me alçar à condição de literato. Basta-me recorrer ao ato de escrever como catarse, como depuração das emoções, usando a superfície da página para projetar meus alentos, desalentos, minhas alegrias e tristezas numa espécie de psicanalização, se é que o termo existe.
Por isso, deixo aqui minhas desculpas às pessoas que intentam conquistar, aqui, minha amizade e a isso rejeito.
Quanto a você, minha amiga fictícia, deixo, como sempre, a você a certeza de que sou seu sempre e fiel amigo e criado,
Hugo Martins

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