A MITOLOGIA COMO
METALINGUAGEM
Hugo Martins
Deixo de lado os vários
verbetes alinhados em dicionário, os quais fornecem o conceito de Mitologia. Em
resumo: todos convergem para a ideia de que a Mitologia se ocupa da “contação”
de histórias (mitos), em cuja estrutura figuram personagens extraordinários,
nascidos da rica imaginação de aedos, rapsodos e poetas. Talvez o conceito mais
preciso e não encontradiço em dicionários seja o fornecido por Fernando Pessoa
que, no poema, Ulisses, da obra Mensagem, diz: “O MITO É O NADA QUE É TUDO”. Em
outras palavras, o que se revela nas narrativas (mitos) mitológicas claramente
inverídico e irreal torna-se, paradoxalmente, real e verídico. É algo
semelhante ao que se diz da Literatura: uma grande mentira que revela uma
grande verdade.
Sem que percebamos de logo, a mitologia,
sobretudo a greco-latina, está, invisivelmente, presente no cotidiano de cada
um de nós. Citemos algumas frases e ditos usados no dia a dia para, numa outra
ocasião, fornecermos seu significado originário. Para início de conversa, a Psicanálise,
faceta da Psicologia, surgida da genialidade do médico austríaco Sigmund Freud,
a muito recorre aos mitos, sobretudo no tocante à interpretação dos sonhos
(existe obra homônima do autor), bem como ao comportamento humano, traduzido na
história de Édipo, rei de Tebas, figurando como exemplo do homem vítima do
destino... Corriqueira a expressão “complexo de Édipo”... Voltaremos ao tema...
Por agora, vamos
transcrever algumas locuções presentes nos diversos mitos greco-latinos e
bastante utilizados no cotidiano quando que se pretende exprimir um dado da
realidade por meio de metáforas mitológicas...
Aí vão aspeadas. Em outro
momento traremos o mito (história) em que elas aparecem...
“Labirinto de Dédalo”, projetos
“quiméricos”, fio de “Ariadne”, “beleza de “Apolo”, “pomo da discórdia”, “sonho
de Ícaro”... Lista meramente referencial, pois outras locuções serão aqui
trazidas à medida que formos desenvolvendo o sentido das retro mencionadas e
outros “causos como, por exemplo, a origem de Afrodite (Vênus entre os
romanos), episódio traduzido artisticamente na tela do pintor italiano
renascentista Sandro Botticelli, com o título O Nascimento de Vênus...
Tem mais, internautas,
navegadores não tão heroicos quanto Jasão e os argonautas, mas, também, em
busca de algum velocino de ouro no mar revolto de várias e multifacetadas
realidades...`
Nauta provém do latim
(nauta, nautae – marinheiro, navegador), e Argos é o nome do sujeito que
construiu a nau de Jasão e seus companheiros. A partir daí é fácil deduzir o
sentido do termo internauta por meio do prefixo INTER (preposição latina –
entre) e NET (termo inglês que significa, aqui, rede, não a de dormir, mas a
entretecida por uma porrada de informação, que, por vezes, ataranta, bestifica,
bestializa, burrifica, estupidifica e idiotiza. E não se trata, no caso, de
MITOLOGIA, mas de uma realidade nua e crua, possível de ser interpretada pela
MITOLOGIA...
Legal, né não?
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