sexta-feira, 14 de dezembro de 2018


A MITOLOGIA COMO METALINGUAGEM
Hugo Martins
Deixo de lado os vários verbetes alinhados em dicionário, os quais fornecem o conceito de Mitologia. Em resumo: todos convergem para a ideia de que a Mitologia se ocupa da “contação” de histórias (mitos), em cuja estrutura figuram personagens extraordinários, nascidos da rica imaginação de aedos, rapsodos e poetas. Talvez o conceito mais preciso e não encontradiço em dicionários seja o fornecido por Fernando Pessoa que, no poema, Ulisses, da obra Mensagem, diz: “O MITO É O NADA QUE É TUDO”. Em outras palavras, o que se revela nas narrativas (mitos) mitológicas claramente inverídico e irreal torna-se, paradoxalmente, real e verídico. É algo semelhante ao que se diz da Literatura: uma grande mentira que revela uma grande verdade.
 Sem que percebamos de logo, a mitologia, sobretudo a greco-latina, está, invisivelmente, presente no cotidiano de cada um de nós. Citemos algumas frases e ditos usados no dia a dia para, numa outra ocasião, fornecermos seu significado originário. Para início de conversa, a Psicanálise, faceta da Psicologia, surgida da genialidade do médico austríaco Sigmund Freud, a muito recorre aos mitos, sobretudo no tocante à interpretação dos sonhos (existe obra homônima do autor), bem como ao comportamento humano, traduzido na história de Édipo, rei de Tebas, figurando como exemplo do homem vítima do destino... Corriqueira a expressão “complexo de Édipo”... Voltaremos ao tema...
Por agora, vamos transcrever algumas locuções presentes nos diversos mitos greco-latinos e bastante utilizados no cotidiano quando que se pretende exprimir um dado da realidade por meio de metáforas mitológicas...
Aí vão aspeadas. Em outro momento traremos o mito (história) em que elas aparecem...
“Labirinto de Dédalo”, projetos “quiméricos”, fio de “Ariadne”, “beleza de “Apolo”, “pomo da discórdia”, “sonho de Ícaro”... Lista meramente referencial, pois outras locuções serão aqui trazidas à medida que formos desenvolvendo o sentido das retro mencionadas e outros “causos como, por exemplo, a origem de Afrodite (Vênus entre os romanos), episódio traduzido artisticamente na tela do pintor italiano renascentista Sandro Botticelli, com o título O Nascimento de Vênus...
Tem mais, internautas, navegadores não tão heroicos quanto Jasão e os argonautas, mas, também, em busca de algum velocino de ouro no mar revolto de várias e multifacetadas realidades...`
Nauta provém do latim (nauta, nautae – marinheiro, navegador), e Argos é o nome do sujeito que construiu a nau de Jasão e seus companheiros. A partir daí é fácil deduzir o sentido do termo internauta por meio do prefixo INTER (preposição latina – entre) e NET (termo inglês que significa, aqui, rede, não a de dormir, mas a entretecida por uma porrada de informação, que, por vezes, ataranta, bestifica, bestializa, burrifica, estupidifica e idiotiza. E não se trata, no caso, de MITOLOGIA, mas de uma realidade nua e crua, possível de ser interpretada pela MITOLOGIA...
Legal, né não?




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