SINAL FECHADO
Hugo Martins
Com esta canção, Paulino
da Viola foi o vencedor do Festival da Canção em 1969, época em que a Ditadura
alçou voos mais altos, pois, no dia 13 de dezembro do ano anterior, foi baixado
o AI5, expressão mais perversa dos efeitos da Redentora. Era “Presidente”, o
general Costa e Silva, que morreu em agosto de 1969 em consequência de um
derrame. Deveria ter sido substituído, legalmente, por seu vice, o civil Pedro
Aleixo. Assumiu, porém, uma junta militar constituída de três ministros
militares, a quem o
deputado federal Ulisses Guimarães chamava de “os três patetas”, que, no mesmo ano, “emendam” a Constituição de 1967, de onde surdiu a Constituição nada democrática de 1969.
deputado federal Ulisses Guimarães chamava de “os três patetas”, que, no mesmo ano, “emendam” a Constituição de 1967, de onde surdiu a Constituição nada democrática de 1969.
Lembrar que a Ditadura,
até então, bateu, humilhou, censurou, castrou a livre expressão, fechou o
Congresso Nacional, cassou todos os direitos e liberdades públicas dos
cidadãos, trucidou a criação artística torturou, matou, deu sumiço a muita
gente, mentiu, enganou, engazopou, embaiu... Está na História. Leia-se Bóris
Fausto, Elio Gaspari (5 volumes), afora testemunhos documentados nas obra
Tortura, de Antonio Carlos Fon , ou Brasil Nunca Mais (obra organizada pelo
então cardeal Dom Paulo Evaristo Arns (macho que só preá), que se inspirou na
obra Nunca Más do escritor argentino Ernesto Sábato, afora jornais da época
como Opinião, o Pasquim, Movimento, que eram apodados no título “imprensa
nanica”. A nosso ver, era uma imprensa gigante. Nela escreviam ou diziam alguma
coisa Ênio da Silveira. Millôr Fernandes, Ziraldo, Jaguar, Ivan Lessa. Paulo
Francis, Ruy Castro, Tasso de Castro, Henfil... Todos eles tiveram problema com
a censura
Hoje, alguns caras de pau
que se fazem de besta, ou são ignorantes mesmo, negam ter havido ditadura aqui
no Brasil, como assevera um sábio
cronista social cearense, que não enxerga um palmo adiante do nariz, pois está
voltado para o doce mister das futilidades cotidianas de dondocas e que tais.
Voltemos a Sinal Fechado.
Em 1974, Chico Buarque de Holanda, que, em palpos de aranha com a porra da
censura, gravou-a e ainda tirou sarro com censores e outros animais da mesma
fauna. Que fez o compositor para isso? É sabido que Chico sofria perseguição
incontida da censura. Metaforizador de primeira grandeza, lançou um disco com o
título CHICO: SINAL FECHADO. Onde está a jogada chute nos ovos dos censores? Das
doze músicas nenhuma era da lavra de Chico. Foda, não bicho?
Perdi-me em comentários.
Aí vai a música. Interprete-a como achar melhor.
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