domingo, 30 de julho de 2017

HOMENS E RATOS
Hugo Martins
Estou pensando no fato inusitado de que resolveram também dedicar ao homem um dia, com data fixada, comemoração e outras tolices semelhantes. Muito bem. Ficou-me, porém, uma dúvida: trata-se do homem, tomada esta palavra em sua acepção genérica, ou a data diz respeito ao ente pensante do sexo masculino? A reflexão assaltou-me, mas, logo, aquietei-me. Se existe um dia da mulher, um dia das crianças, um dia das mães e um dia dos pais, aquela data deve dizer respeito mesmo ao homem na sua acepção “strictu sensu”, isto é, em seu sentido particular.
A mania reflexiva continuou a me espicaçar o espírito com outras pertinentes indagações: e o veste-calça? E o canalha? E o cafajeste? E o inescrupuloso? E o que vende a alma? E o que não mede esforços para passar a perna no outro? E o mentiroso? O salafrário? O calhorda? E o adulador? E o lambe-botas? Toda essa casta está inclusa naquela data? Se assim for, parabéns a quem teve essa brilhante ideia...
E os senhores do Congresso Nacional? E os demais ladrões de gravata? Enfim, e todos os que pertencem à casta de predadores da riqueza nacional, que engabelam o povo ingênuo durante o processo eleitoral e continuam a enganar esse mesmo poviléu ignóbil? Deveriam estes últimos ( os que fazem parte do Poder) serem lançados num dos nove círculos do inferno de Dante ou deveriam ser homenageados também nessa data? Embora em muito se assemelhem a ratos ladravazes pelo talento que demonstram em bater carteiras e furtar, devem, também, ser agraciados. Afinal, "todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza..." Por esse prisma, pilhar o Tesouro Nacional, parece ser um direito que se estende a todos. Só alguns, porém, leem com propriedade tão sombria isonomia.
E vivas aos dias do Homem...

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