domingo, 30 de julho de 2017

ΠΑΡΘΕΝΟΣ ou παρτένος - VIRGEM
Hugo Martins
A palavra grega, acima transcrita, à guisa de título, em caracteres maiúsculos e minúsculos, seguida da tradução em português, corresponde, em latim, a VIRGO-VIRGINIS, e se aplica à deusa grega Atena (Minerva dos romanos), que era casta, pura e inocente tal como a virgem Maria, que concebeu sem haver mantido relação sexual com quem quer que seja, pois seu filho unigênito foi concebido “por obra e graça do Espírito Santo. ” Assim, a virgindade é signo que designa toda mulher que “nunca conheceu homem”, conforme diz o eufemismo aspeado. O emprego corriqueiro desta palavra em tal acepção surge, de tempos em tempos, acobertada por toda sorte de preconceitos ao longo da História, de tal forma que algumas mulheres já casadas ou experimentadas, muitas vezes brincam, colocando em si mesmas o rótulo de virgens, como se a condição de permanecer virgem fosse uma virtude. Outro sentido que a palavrinha assume na cultura brasileira é “nunca fui propriedade de ninguém”. Para muitas, o casamento se dava porque mantinham “a virtude” de ser virgem, isto é, não “deitaram, antes, em outro leito, com algum homem. ” A coisa era levada tão a sério, que o Código Civil Brasileiro de 1916, revogado ou modificado em 2002, trazia um artigo, dando a prerrogativa ao homem de pedir a anulação do casamento se alegasse, no prazo de dez dias, contados do enlace, não ser mais virgem a mulher... Era o que chamavam “erro essencial de pessoa.” É mole? O macaco Simão diria que sim, mas sobe.
E quem não lembra os “casamentos na polícia? ” O sujeito cometia o crime de sedução, previsto no art. 217 do Código Penal, dispositivo já revogado, que também recebia a designação popular de defloramento. Era esta a redação: “seduzir mulher virgem, menor de dezoito anos e maior de catorze e ter com ela conjunção carnal, aproveitando-se de sua inexperiência ou justificável confiança. ” Nesse contexto, dizia-se que o praticante de tal delito “fizera mal” a uma moça. O sujeito era coagido a casar com a “vítima. Vi um caso, na cidade de Itapipoca, em que o cabra foi castrado pelo pai, pois não quis assumir, e nem podia, pois deflorou duas jovens irmãs. Quando a moça engravidava e o casamento não se concretizava, fazia uma longa viagem, ou o pai da jovem se tornava pai do neto ou da neta. É mole? Sei não.
Algumas palavras existem, em português que assentam na forma e no conteúdo do radical que veicula a ideia da palavra virgem. Por exemplo: partenofilia aponta para o sujeito que demonstra inclinação exagerada por mulher virgem. Do mesmo modo, a palavra partenófobo designa o sujeito que tem medo de virgens... É o homem, é a cultura, é a linguagem.
Χαιρετε, ω φιλόι. (alegrai-vos, amigos).

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