domingo, 30 de julho de 2017

"TROLANDO" COM COISA SÉRIA.
Hugo Martins
Não posso deixar de aplaudir iniciativas que visam a trazer para este espaço a coisa pedagógica, a cotização de informações e até mesmo a conversa sobre "miolo de pote".
Da mesma forma, não dispenso tecer críticas (essa palavra de origem grega significa sopesar e avaliar) a deslizes, a cometimentos de erros crassos, cujos efeitos levam os desavisados a propalar os pecadilhos. Sobre a palavra TRIPLEX, que não é oxítona, mas paroxítona, devendo receber acento gráfico na primeira sílaba, já dissertamos, fundamentando nosso parecer na língua latina e aconselhando às pessoas consultar o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, publicação da Academia Brasileira de Letras. É nele que se encontra a grafia oficial do idioma. Não mais vou me perder em especulações sobre a palavra TRÍPLEX.
Outro dia, vi, aqui por estas bandas, alguém propondo uma questãozinha acerca de concordância. Após a proposição, vinham as opções. Que dizia a questão? Vou aspear. "Marcar a alternativa correta". Entre as quatro listadas, o sujeito proponente considerou correta a seguinte, também aspeada: "São meio dia e meio." Aí, meu amigo, é de lascar os camburões. Quer dizer, na questão "correta" encontram-se três erros imoralmente crassos. Vamos desentortar a coisa em caixa alta. É MEIO-DIA E MEIA. Tudo bem que se trata de gramatiquice, mas as duas questões aqui trazidas podem induzir alguém, que se submete a concurso público ou que escreve textos, a cair na esparrela... Dá um tempo, porra! "Meio-dia" leva o verbo para a terceira pessoa do singular. "Meia" concorda com a palavra hora, subjacente na frase Além disso, esta palavrinha composta deve ser grafada com seus elementos separados por hífen. E vamos nós. Agora por outros rumos, já que são milhares de falas, deblaterando contra toda corrupção nossa de cada dia. As que ocorrem, a céu aberto, no Congresso Nacional, nas Assembleias estaduais, em Câmaras de vereadores, nos grandes e pequenos negócios, nas pequenas tentativas de subornos ocorrentes no cotidiano... É coisa que dói lá no fundo da alma. Penso que só gritar não leva a nada. As grandes reformas, (pronto, descobri a pólvora), começam em nossas almas. Tudo muito simples, como dizia o pensador francês Voltaire, "Chacun doit cultiver son jardin" (Cada um deve cultivar seu jardim), basta não se deixar levar pelo canto mavioso de alguma sereia, canto do lucro fácil, das pequenas corrupções perfeitamente visíveis em países que fundaram sua moral nos alicerces de corrupções trazidas à baila pela História revisionista.
O preâmbulo aqui saltou porque, em algum dia, li uma frase não sei em que texto de Machado de Assis, que me deixou ressabiado. Vinha travestida da roupagem cínica e ceticista do romancista carioca. A fala era de um personagem. Transcrevo-a como forma de colaborar com os "conselheiros" , "moralistas" e com aqueles que aplaudem tão dignas pessoas. Quando leio Machado, saio da página com o espírito conturbado pelo mar de reflexões que o escritor alquimista das palavras nos impõe sem saciar. O que vou transcrever pesquei da memória da leitura de um de seus enfeitiçantes e atuais textos, cheios de contemporaneidade no que diz respeito ao que vai na alma do homem. É uma cacetada. Lá vai, e já vou. "SE ENCONTRARES PERDIDOS CINCO TOSTÕES, DEVOLVE-OS AO LEGÍTIMO DONO; SE ENCONTRARES CINCO MILHÕES, DEPOSITA-OS NA TUA CONTA".
PÁ !

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