QUESTÃO ORTOGRÁFICA COM FIAPOS ETIMOLÓGICOS.
Hugo Martins
Hugo Martins
O problema ortográfico, em sede de língua portuguesa, foi parcialmente resolvido a partir de 1911 quando aqui se adotou a tal ortografia simplificada, calcada no pensamento do filólogo português Gonçalves Viana, dissertado em obra homônima. Passou a viger no Brasil, entretanto, a partir do ano de 1943. Conquanto não se afaste dos moldes etimológicos, a obra A Ortografia Simplificada bane os helenismos (do grego) e latinismos (do latim) complicados e procura como que “adaptar” a grafia de algumas palavras sem se dobrar ao cientificismo sem peias... Por exemplo, se alguém quiser se manter fiel à etimologia pela etimologia, deveria escrever “mixtura” ou “mixto” e não mistura ou misto. Razão? As duas primeiras palavras pertencem ao léxico latino e escrevem-se: a primeira, do gênero dos nomes substantivos MIXTURA, AE; e a segunda, do adjetivo triforme MIXTUS, MIXTA, MIXTUM. Quando a palavra CONSCIÊNCIA mantém aquele S depois do prefixo CON (M), segue-se a via etimológica, pois o verbo CONHECER, no infinitivo impessoal em latim, assim se grafa SCIRE. Aquela letra também se mantém no substantivo latino CONSCIENTIA, CONSCIENTIAE. Ainda assim, o filólogo português poderia ter optado por grafá-la sem o S. Lembrar que ortografia é convenção...
A reflexão foi motivada por uma pequena discussão que mantivemos com alguém quando utilizou a forma verbal SOE, do verbo SOER, em português, e eu lhe disso que a forma deveria ser SÓI, como MÓI do verbo MOER. Não lhe tirei a razão quando arrancou da algibeira a questão etimológica para justificar sua opção por SOE. O verbo SOER, português, que significa costumar, ser comum, ser habitual e assume tal acepção em latim, português e italiano, deriva do verbo latino SOLERE. Como toda palavra, também sofreu transformações em seu corpo ao longo do tempo. Desse modo, sofre a queda do E final (apócope) e fica SOLER; em seguida, ocorre a queda do L (síncope), resultando o SOER tal como se encontra na língua portuguesa. Deveria ser SOE, mas não é, por razões de simplificação. Como sói acontecer, as questões de linguagem sempre suscitam bons debates em que se cotizam experiências e se lucra aprendizagem.
A palavra insólita (atentar para o prefixo IN) é corriqueira em português, significando aquilo que não é habitual. É muito comum, na língua italiana, o uso da locução DI SOLITO, significando o que é costumeiro e habitual.
Para fechar o blá-blpa-blá: quem consultar os bons dicionários de língua portuguesa, verá que a palavra SÓLITO lá estará registrada ainda que seu uso seja quase nenhum.
Isto posto, fica firmado que a grafia do verbo SOER, em português, na terceira pessoa do singular do presente do indicativo, é SÓI e não SOE, como grafa meu amigo, estando assentado em argumentos etimológicos.
Como SÓI acontecer, fujo aos debates insossos acerca de corrupção e outros assuntos INSÓLITOS para me entregar a reflexões, a meu ver, menos nocivas...
Voilà.
A reflexão foi motivada por uma pequena discussão que mantivemos com alguém quando utilizou a forma verbal SOE, do verbo SOER, em português, e eu lhe disso que a forma deveria ser SÓI, como MÓI do verbo MOER. Não lhe tirei a razão quando arrancou da algibeira a questão etimológica para justificar sua opção por SOE. O verbo SOER, português, que significa costumar, ser comum, ser habitual e assume tal acepção em latim, português e italiano, deriva do verbo latino SOLERE. Como toda palavra, também sofreu transformações em seu corpo ao longo do tempo. Desse modo, sofre a queda do E final (apócope) e fica SOLER; em seguida, ocorre a queda do L (síncope), resultando o SOER tal como se encontra na língua portuguesa. Deveria ser SOE, mas não é, por razões de simplificação. Como sói acontecer, as questões de linguagem sempre suscitam bons debates em que se cotizam experiências e se lucra aprendizagem.
A palavra insólita (atentar para o prefixo IN) é corriqueira em português, significando aquilo que não é habitual. É muito comum, na língua italiana, o uso da locução DI SOLITO, significando o que é costumeiro e habitual.
Para fechar o blá-blpa-blá: quem consultar os bons dicionários de língua portuguesa, verá que a palavra SÓLITO lá estará registrada ainda que seu uso seja quase nenhum.
Isto posto, fica firmado que a grafia do verbo SOER, em português, na terceira pessoa do singular do presente do indicativo, é SÓI e não SOE, como grafa meu amigo, estando assentado em argumentos etimológicos.
Como SÓI acontecer, fujo aos debates insossos acerca de corrupção e outros assuntos INSÓLITOS para me entregar a reflexões, a meu ver, menos nocivas...
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