domingo, 30 de julho de 2017

POLÍTICA? QUE “DIABÉISSO”? MORDE?
Hugo Martins
O maior conhecimento que pode qualquer ente humano alcançar é aquele definido pelo Oráculo de Delfos ao responder a uma indagação que alguém fizera sobre Sócrates. A pessoa perguntara quem seria o homem mais sábio do mundo. Resposta: Sócrates. Por que? Resposta: porque, disse a Sibila, apoiando-se no próprio mestre de Platão, a maior virtude humana é o conhecimento, o qual, paradoxalmente, homem algum ousa alcançar. A coisa parece confusa. Pois bem. Não é não. Na resposta, encontra-se a própria essência do que vem a ser um filósofo. Quando indagado se era um Σοφός (sábio, douto), o pensador respondeu: “não, considero-me um φιλό-σοφος” (aquele que ama a sabedoria), isto é, aquele que está convencido de que conhecer é uma questão de amor, de busca da sabedoria. Não a busca da cultura pela cultura ou da erudição pela erudição, mas o encontro diário com o estudar, o desvendar, o encantar-se, o surpreender-se, enfim, tomar o estudo como uma espécie de lupa para emprestar maior dimensão às coisas do mundo. 
A pior doença de que pode padecer o bicho homem é a ignorância (΄αγνοια), situação em que o sujeito pensa de tudo saber e não despende esforço nenhum para buscar respostas às indagações, pois se julga senhor de resposta para tudo ou, por vezes, fornece respostas resultantes de um pensar torto, por isso ingênuo, sobre o mundo e as coisas que se lhe apresentam. Vamos a um exemplo ilustrativo.
O sujeito destila indignação sobre a política e diz dela cobras e lagartos. Detesta política e defende a tese de que ela não deveria existir. Volta-se para o interlocutor, que estava só a ouvir o despautério, e indaga: “que pensa você sobre a questão? ” Resposta: “penso que a política é própria ao homem e sempre será desde o dia em que resolveu cumprir seu ser: viver em estado gregário. ” Lembrou a máxima de Aristóteles que dizia ser o homem um animal político, isto é, não se realizar senão em sociedade. E continuou: “quando os homens se ajuntam, necessitam criar regras de convivência para que o grupo atinja os fins que tem em mira. Em todo o decorrer da História, sempre foi assim e será. Dessa maneira, a Política, a qual Aristóteles via como a arte de gerir a πόλις (cidade, cidade-estado, estado) é meramente isso: criação de leis por entes competentes, a aplicação das leis para o atingimento de finalidades e, por fim, existência de órgão que aplicará e vigiará a aplicação das leis. Nas mais comezinhas organizações sociais, a coisa assim funciona: na família, no bairro, na cidade, no Estado, no País... Não se faz necessário o conhecimento científico da ciência política. É tudo intuitivo...”
“Nas democracias modernas, a partir do pensamento do Barão de Montesquieu, na obra O Espírito das Leis, ficou firmada a existência de um só Poder, porém, tripartite, com atribuições definidas: quem cria as leis; quem aplica e vigia sua aplicação; quem as aplica tendo em vista a busca de fins por elas definidos... Ao fim e ao cabo, porém, nos estados democráticos de direito (está nas Constituição Federal em vigência), o Poder emana do povo. Este, pois, utilizando um mecanismo salvador ou remediador, o voto, delega poderes para que os entes referidos ponham em prática o exercício do tal Poder.”
Sabe como o interlocutor fechou sua fala? Disse: “meu nobre companheiro, o problema não é a política, a questão mesmo é A EDUCAÇÃO (palavrinha pouco ou pobremente compreendida por muitos)ou A VERGONHA NA CARA, aquela a que se referiu o historiador maranguapense Capistrano de Abreu. ” 
“O resto é muita conversa fiada, muita ignorância”. “O resto é silêncio. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário