domingo, 30 de julho de 2017

MAIS UM NOVO AMOR
Hugo Martins
Aqui venho cantar as alegrias do que é encontrar um novo amor. Aos que se foram, nada a dizer ou a declarar. Apenas se foram, seguiram sua estrada e deixaram aberta uma vaga no meu coração, que, exultante, deu vivas, saltando de alegria, ao novo amor, ao que revivifica, energiza, acalma e faz pensar, parafraseando Roberto Benigni, que a vida é bela, a que acrescento o chavão “o amor é lindo. ” Veio para ficar e se instalou em meu coração não como o “posseiro” de Chico Buarque, mas como alguém que, gratuitamente, encontrou quem tinha de encontrar. Simples. Só isso. Pois bem.
Estava eu posto em sossego tal Inês de Castro, não de coração e alma mortos, mas, sentado à mesa de trabalho a dialogar, diariamente, com meus mais fiéis amigos, meus caros livros, que, também, proporcionam-me, em larga profusão, alento, alegria, paz, harmonia e sossego. Só vim a perceber que faltava algo quando dei de cara com esse meu novo amor, esse doce amor. A coisa se deu num átimo, como num passe de mágica só semelhante às películas adocicadas das comédias de Hollywood. Só uma troca de olhar. E pronto. Depois, a aproximação sincera e desarmada. De repente, vi-me totalmente envolvido pelos tentáculos apertados de fragorosa paixão. Pior. Maior ainda minha felicidade, que, com rima e tudo, deu em reciprocidade. Hoje andamos de mãos dadas, numa troca de ternura que inebria e põe em nossos olhos uma luz mais que brilhante e faz vibrar em nossos corações sentimentos que só se explicam quando se dão os reencontros.
Dia desses, convenceu-me de que deveríamos viajar. Tentei mostrar-lhe que sou, de natural, sedentário e amante empedernido da cidade de Fortaleza, por isso nunca “curti adoidado” o viajar, a não ser nas asas da imaginação, no refulgir gratuito da poesia, no encantamento imanente à e emanante da obra literária. Não cedeu aos meus argumentos e conseguiu levar-me a outras plagas. São os sortilégios do amor. Embarcamos juntinhos, ali pertinho um do outro, sempre de mãos dadas e nos cotizando no jogo lírico da cumplicidade de olhares. Já fizemos duas belas viagens e já programamos mais quatro. Estamos em curso. A segunda viagem deve terminar agora, no próximo dia 13 deste mês de julho. Depois, faremos breve pausa para, no dia 2 de agosto, retomarmos essa espécie de périplo salpicado do mais puro amor, da mais envolvente ternura. A coisa só me tem feito um grande bem. Por isso, dou vivas aos deuses do Olimpo, sobretudo a Eros, que atirou certeiramente uma de suas setas, fazendo meu coração regurgitar, transbordante de um amor dos melhores. Eita... Ô curdiacho! Para onde, afinal, ela me levou? Vamos lá.
Meu grande e novíssimo amor me fez ver que viajar não se deve reduzir a simplesmente deslocar-se, mas, antes de tudo, decididamente aprender alguma coisa de proveito para a vida. E assim fizemos nas duas primeiras viagens e faremos nas quatro próximas. Se não houver alguma ruptura em nossa relação...
Na primeira estação, estivemos nos Pranayamas, paraíso que proporciona lição inesquecível: a arte de respirar para alcançar a energização do corpo, da alma e do espírito, ao tempo em que também se leva a efeito, no mesmo jogo, a fruição da calma, da quietude, da serenidade, da beatitude, do experimentar o aqui e o agora. Quando desperto, julgo haver valido a pena. Reflito que meu grande amor me ama de verdade sem esperar troca senão o amor pelo amor. Não precisa dizer que estou colado nele...
Na segunda estação, quedamo-nos na Yogaterapia. Aqui, também tiramos grande proveito turístico e pedagógico. Aprendemos, por exemplo, que as posturas (ásanas), associadas à respiração, à mentalização e à meditação, promovem curas realmente, não tem enganação, tampouco a recorrência à medicina alopática ou aos comprimidos para dormir, para livrar-se de depressões cotidianas, dores da alma ou do coração. Não. Suficientes os seis mil anos da coisa vinda lá da Índia, que não é mágica, tampouco irreal. Tão real, que muitos não dão crédito à eficácia advinda dos efeitos da Yogaterapia. Da minha parte, terminada uma sessão, saio de lá levitando e passo toda a semana assim, tranquilo e calmo. Pior ainda: meu grande amor obriga-me (ela é exigente) a praticar em casa também. Vôte, canhoto. Ainda assim, I love her forever...
Vem por aí uma terceira estação. Na programação, consta que visitaremos, por três sessões, apenas alguns rudimentos do sânscrito (língua das ciências hindus) a fim de que estabeleçamos familiaridade com a terminologia do Yoga (nos dicionários de língua portuguesa, a palavra pertence ao gênero feminino, daí o uso, por nós, do pronome her e não him). Depois, manteremos contato mais efetivo com os mantras e a meditação num plano mais teórico. Depois? Depois é relaxar e dizer, depois “eu vou pra galera.”
I will always love her. (Dizer isso em latim ou em português é mais fácil e me soa mais sincero). Retirei a frase de uma canção. Eis por que a transcrevo no original). Uauuauauauauauauauauaua!!!
E então? Um amor desses vale a pena? Of course! (até meu inglês melhorou).

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