DEDOS
TALENTOSOS.
Hugo Martins
Estive hoje no
consultório de um profissional da saúde, mais precisamente, uma nutricionista.
Sempre que me encontro em consultórios, filas de banco, filas de qualquer
espécie, ou no interior de ônibus municipais na hora do ruge-ruge de fim de
tarde, invariavelmente estou em companhia de um amigo ou de uma amiga. Em
outras palavras, nessas situações, sempre tenho nas mãos um livro ou uma
revista. Mera estratégia de preencher o tempo e não abrir oportunidade a que
alguém puxe conversa mole. A companhia de tais amigos e amigas me preenche,
dá-me alento e evita a presença de inoportunos.
Hoje, porém, alguma
coisa chamou-me a atenção e tive que cessar o diálogo que mantinha com uma
amiga. Conversávamos sobre um assunto de minha especial predileção: a
literatura. Mesmo assim, fui fisgado pelo insólito da cena. Espalhadas em
poltronas, as pessoas, jovens, evidentemente, mergulhadas em fundo silêncio,
estavam todas, sem exceção, olhando para o telefone celular movimentando os
dedos, sobretudo os polegares, como se estivessem passando as contas de um
terço ou debulhando uma invisível espiga de milhos.
A cena induziu-me a uma
ilação: a juventude brasileira, com raras exceções, pode não ser dada a
reflexões, a escrever, pode possuir um vocabulário exíguo, pobre e limitado,
mas de uma coisa pode-se ter certeza: são todos exímios digitadores...
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