terça-feira, 30 de dezembro de 2014

FELIZ ANO NOVO: SORRIA (2)
                                                   Hugo Martins

Ele não é rápido, ele não anda devagar. Não há nem mesmo a certeza de que ele exista. A maior ou menor intensidade de seu deslocamento depende de quem com ele está lidando. Épocas há que ele não assume importância alguma; em outras, porém, quando você, meu amigo ou minha amiga, começa a abrir os olhos e perceber que tudo não passou de vã ilusão, então você começa a pôr as barbas de molho.
Ele pisa macio. Suas sandálias são silenciosas, não fazem sequer um ruído. É hoje? É amanhã? Foi ontem? Para que as indagações se essas circunstâncias também não existem? Se o indivíduo não vai bem da bola? Se vive alheio à realidade ou perde a memória? Teria ele noção da passagem do tempo? O tempo é dinâmico ou estático? Vale a indagação porque o que existem são convenções fundamentadas em fenômenos físicos. Ainda assim, voluteia no ar um grão de intuição para apreender aqueles conceitos temporais. Essa discussão sobre a matéria tempo não vai dar em nada. Não tem, objetivamente, valor alguma. Seu interesse é nenhum. Que fique, pois com metafísicos e místicos. Que dela retirem pasto para reflexões. Assumem mesmo máxima importância as conseqüências que dela advém. Com efeito, são estas dolorosas. Mal é concebido o indivíduo já começa a morrer. Não é bom que ele perceba essa realidade crua. Deixe o tempo “passar”... De regra, como em tudo, todo começo são flores, na parêmia popular. Na infância, de regra, também, tudo é alegria, tudo é sorriso, tudo é ilusão. Enquanto o indivíduo vai levado pela corrente do tempo, fazendo projetos, atingindo metas e realizando sonhos, o tempo não interfere, continua correndo e a corrente seguindo. Eis que, súbito, o sujeito olha pra trás e começa a enxergar que a vida, “embora seja uma  aventura que valha a pena ser vivida”, o tempo começa a pesar-lhe nos ombros. As doenças do corpo e da alma fazem residência em você. A morte começa a ceifar, aqui e ali, seus entes queridos. “Os desenganos vão conosco à frente, e as ilusões vão ficando atrás.” As rugas começam a fazer desenhos no seu rosto tais tétricas e indeléveis tatuagens; o corpo se dobra, a plástica, antes impecável, cede lugar à flacidez, às estrias, e a alma cai, genuflexa, ante à evidência da certeza da mortalidade. Essa consciência dói. Tudo vai cair no esquecimento. Um dia se faz uma viagem, cujo destino é incerto: ou se mergulha nas trevas do nada ou se vai para regiões paradisíacas tanger liras na companhia de anjos, gozando a tal felicidade e o bem-estar que aqui não se encontra. Ter nascido do pó e a ele, necessariamente, voltar é realidade crua e inexpugnável.
Não há motivo para desespero.  Feliz Ano Novo.  A esperança é a última que morre; o amor é lindo e Jesus te ama.


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