CARTA à AMIGA- XXVII
Hugo Martins
Karei, file... (tradução: alegra-me ter você como amiga)
Minha nobre, o ordenamento jurídico brasileiro enfeixa em seu bojo princípios e normas que rechaçam qualquer manifestação precoceituosa, estando aqueles assentados em largos juízos universais.
Há poucos dias, chegaram-me aos ouvidos notícias de que uma atriz televisiva teria manifestado comportamento preconceituoso em relação a nós, nordestinos. Alguém me pergunta que eu acho disso tudo. A princípio, pensei em dizer: "não acho nada". Para que tecer considerações acerca de situações inerentes à condição cultural de um povo, o brasileiro, que é, historicamente, preconceituoso até à raiz dos cabelos? Por que perder tampo com os néscios, espécie de cadáveres ambulantes, que se comprazem em vomitar tolices em esquinas, bares e outros cantos do mundo? Depois pensei: " homem, tome a coisa como mote e escreva um texto para se divertir com a tolice humana!" Meninos, pensei, é o que vou fazer, afinal, mesmo numa tarde quentíssima, em minha varanda, corre um ventinho fagueiro, e minha redinha de corda me acena: "venha, venha!" E aqui estou... Vamos ao ludismo com reflexão.
Primeiro dos males que imbecilizam o ser humano: a ignorância crassa. Ora todos produzimos a riqueza e, por consequência, por sua dinâmica, com trocas, escambos, compra e venda ou qualquer outra transação de cunho comercial, pagamos tributos, submetendo-nos ao que determina o Sistema Tributário Nacional. Portanto, ninguém sustenta ninguém, se se levar em conta as palavras da tal atriz. Segundo dos males que idiotizam o ser humano: a desinformação. Políticas públicas decorrem do princípio da solidariedade tributária por meio da qual se procede a uma distribuição de renda para alcancar a justiça social, objetivo bafejado pelos fundamentos, princípios e objetivos visados pelas constituições sustentadas nos pilares do Estado Democrático de Direito. A atrizinha desconhece, certamente, isto de que se fala. Não se trata só de matéria jurídica, mas de princípios cristãos desapartados da atitude farisaica dos pregadores domingueiros.
É bom trazer à baila outro pecadilho da senhora atriz de novelas televisivas: ela não conhece o Nordeste: a beleza geográfica, o estoicismo de seu povo, tampouco o pendor cultural tão epidérmico em nossa cultura, alimentada por escritores, historiadores, juristas, teatrólogos, antropólogos, afora humoristas, que se divertem em alegrar as almas e chicotear os tolos. Vou enumerar alguns que ela, provavelmente, desconhece: José de Alencar, Castro Alves, Clóvis Beviláqua, Raimundo Farias Brito, Tobias Barreto, Sílvio Romero, Aluísio Azevedo, Antônio Sales, Manuel Bandeira, Gilberto Freyre, Nelson Rodrigues, Graciliano Ramos, Jorge Amado, Adonias Filho, Rachel de Queiroz, José Américo de Almeida, Francisco Anísio. É gente demais para a moçoila pretensiosa aprender a aprender com eles o que somos.
Antes de falar qualquer tolice sobre nós nordestinos, é bom lavar bem a boca, tomar um chá de "semancol" e dizer de si para si: "realmente sou meio burrinha para andar dizendo, frivolamente, o que não devo. Sou uma ignorante".
Por fim, abrir as oiças e ouvir, claramente, nosso grito em uníssono: "Respeita a poliça, fia de Maria."
Responda como os idiotas: "Jesus te ama".
E nós daqui de nossos altiplanos: "Aí dentu, cachorra!"
Pronto. Está dito. Curtição, riso.
"Ridendo castigant mores"!
Há poucos dias, chegaram-me aos ouvidos notícias de que uma atriz televisiva teria manifestado comportamento preconceituoso em relação a nós, nordestinos. Alguém me pergunta que eu acho disso tudo. A princípio, pensei em dizer: "não acho nada". Para que tecer considerações acerca de situações inerentes à condição cultural de um povo, o brasileiro, que é, historicamente, preconceituoso até à raiz dos cabelos? Por que perder tampo com os néscios, espécie de cadáveres ambulantes, que se comprazem em vomitar tolices em esquinas, bares e outros cantos do mundo? Depois pensei: " homem, tome a coisa como mote e escreva um texto para se divertir com a tolice humana!" Meninos, pensei, é o que vou fazer, afinal, mesmo numa tarde quentíssima, em minha varanda, corre um ventinho fagueiro, e minha redinha de corda me acena: "venha, venha!" E aqui estou... Vamos ao ludismo com reflexão.
Primeiro dos males que imbecilizam o ser humano: a ignorância crassa. Ora todos produzimos a riqueza e, por consequência, por sua dinâmica, com trocas, escambos, compra e venda ou qualquer outra transação de cunho comercial, pagamos tributos, submetendo-nos ao que determina o Sistema Tributário Nacional. Portanto, ninguém sustenta ninguém, se se levar em conta as palavras da tal atriz. Segundo dos males que idiotizam o ser humano: a desinformação. Políticas públicas decorrem do princípio da solidariedade tributária por meio da qual se procede a uma distribuição de renda para alcancar a justiça social, objetivo bafejado pelos fundamentos, princípios e objetivos visados pelas constituições sustentadas nos pilares do Estado Democrático de Direito. A atrizinha desconhece, certamente, isto de que se fala. Não se trata só de matéria jurídica, mas de princípios cristãos desapartados da atitude farisaica dos pregadores domingueiros.
É bom trazer à baila outro pecadilho da senhora atriz de novelas televisivas: ela não conhece o Nordeste: a beleza geográfica, o estoicismo de seu povo, tampouco o pendor cultural tão epidérmico em nossa cultura, alimentada por escritores, historiadores, juristas, teatrólogos, antropólogos, afora humoristas, que se divertem em alegrar as almas e chicotear os tolos. Vou enumerar alguns que ela, provavelmente, desconhece: José de Alencar, Castro Alves, Clóvis Beviláqua, Raimundo Farias Brito, Tobias Barreto, Sílvio Romero, Aluísio Azevedo, Antônio Sales, Manuel Bandeira, Gilberto Freyre, Nelson Rodrigues, Graciliano Ramos, Jorge Amado, Adonias Filho, Rachel de Queiroz, José Américo de Almeida, Francisco Anísio. É gente demais para a moçoila pretensiosa aprender a aprender com eles o que somos.
Antes de falar qualquer tolice sobre nós nordestinos, é bom lavar bem a boca, tomar um chá de "semancol" e dizer de si para si: "realmente sou meio burrinha para andar dizendo, frivolamente, o que não devo. Sou uma ignorante".
Por fim, abrir as oiças e ouvir, claramente, nosso grito em uníssono: "Respeita a poliça, fia de Maria."
Responda como os idiotas: "Jesus te ama".
E nós daqui de nossos altiplanos: "Aí dentu, cachorra!"
Pronto. Está dito. Curtição, riso.
"Ridendo castigant mores"!
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