sexta-feira, 28 de outubro de 2016

MAIS UMA NOITE. QUE NOITE!!!

                                                                                    Hugo Martins    

                        Os trovões ribombavam. O corisco riscava os céus. Relâmpagos pisca-piscavam como se gigantescos vaga-lumes nos espreitassem pelas persianas entrecerradas. Pensei nela. Que sentiria naquela noite soturna? Medo? Solidão? Resolvi verificar como ela estava. Pus os pés para fora da cama e, às apalpadelas, dirigi-me ao quarto contíguo em que ela se encontrava. Sentia por ela um amor especial, desses que não se explicam com palavras.  Era grande a vontade de levar a ela proteção e afeto. Não titubeei. Acheguei-me à cama estreita em que ela dormia.

                    Tinha que ser estratégica a aproximação. Não devia acordá-la. A coisa tinha que ser feita com jeito.  Olhei-a demoradamente. Estava deitada de bruços. Dormia com a cabeça recostada num travesseiro que ela envolvia num largo amplexo. Ressonava com a calma de quem está em paz com a vida. O dorso nu. Apenas uma calcinha debruada de rendas cobria-lhe a nudez ebúrnea. As pernas levemente afastadas. Aproximei-me. Toquei-lhe as costas mornas. Alisei aquele dorso de sílfide e notei, mesmo na penumbra do quarto, esboçar-se um leve ríctus nos lábios carnudos, como se estivesse a rir de tênue satisfação pelas carícias ternas que eu lhe fazia nas costas.

                   Era uma noite chuvosa. Tomei-a nos braços. Ela envolveu os braços finos e leitosos em torno do meu pescoço e aconchegou-se mais ainda. Senti-lhe o bafo quente no meu torso. Encaminhei-me para a larga cama. Os cabelos longos e finos desgrenhavam-se espalhados sobre a colcha. De repente, enrolou-se tal um feto. Tomei de um lençol e cobri-a para protegê-la da lufada de ar que vinha de um ventilador que oscilava e oscilava. Voltei ao leito em que se encontrava. Retirei os lençóis amarfanhados e substituí por outros. Afinal a noite ainda não findara. Havia muito ainda o que fazer. Voltei ao quarto da larga cama. Minha princesa ainda ressonava. Aproximei-me, retirei suas calcinhas úmidas. Antes de colocar outra calcinha enxuta, passei talco na região sacra. Em seguida, soergui-a e transportei-a para a cama refeita. Quando se sentiu confortável, puxou-me, deu-me um beijo e um abraço. Retribuí o carinho e voltei para minha cama, onde sua mãe dormia o sono dos justos. Naquela noite, minha filha de três aninhos mais uma vez fizera xixi na cama.




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