Mera
Opinião
Hugo
Martins
Não é à toa que Pelé foi
eleito, entre todas as modalidades esportivas, o Atleta do Século XX. O craque
santista reunia todas as virtudes inimagináveis para atingir o apogeu a que
chegou. Preparo físico invejável, nunca deixou de comparecer aos treinos, e
dizem seus biógrafos que era o último a deixar a concentração. Driblador
infernal, chutava com as duas pernas com a mesma eficiência. Exímio cabeceador.
Quando dava a testada na bola, fazia de olho aberto. Dizia ele que era para
escolher o canto onde jogar a pelota. Há quem diga que, quando conduzia a bola
e vendo+a frente de um batalhão de marcadores, costumava fazer tabela nas
pernas destes. Era leal, sem deixar de recorrer à chamada “catimba”, artimanhas
a que recorrem os jogadores para induzir o juiz a tomar a se convencer de que
dada jogada se deu assim e não assado. A propósito, lembra-me o jogo Brasil
versus Uruguai na Copa de 1970. Um lateral da Celeste, que “caçava” o crioulo a
toda hora, recorrendo a toda espécie de pontapés. Num dado momento, Pelé
recebe, do lado esquerdo do campo, um passe rasteiro. Sai em perseguição à
bola, olha de esguelha e vê o zagueiro em seu encalço com cara de poucos amigo.
Vinha ele com o firme propósito de “baixar o pau” no craque-café. Pelé adiantou
a bola, deu ima virada brusca e assestou o cotovelo na cara cínica do jogador
uruguaio. Resultado: este saiu de nariz quebrado, e o árbitro marcou falta
contra o selecionado do Uruguai. Ocorre que quando a porrada explodiu, Pelé, a
um só tempo, jogou-se no chão como se tivesse sido maldosamente atingido pelo
matreiro jogador, que não possuía a mesma habilidade do maior jogador de todos
os tempos.
Quem nunca viu Pelé
jogar, pode assistir ao filme “Pelé é Eterno” a fim de ver que “nunca na
História deste País” houve, há ou haverá jogador igual. Somem Di Stefano,
Puskas, Maradona, Messi e Neymar, que não surgirá daí um Pelé. No máximo. Um
Tostão.
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