domingo, 30 de outubro de 2016

LATIM, PARA QUE TE QUERO?
                                                              Hugo Martins


Tenho um amigo que adorava empregar a expressão “prefiro não me imiscuir” quando desejava dizer não costumar emitir opinião sobre determinadas questões que não lhe diziam respeito O último verbo não é muito corriqueiro, prefere-se o emprego do verbo “intrometer-se”. A forma imiscuir-se, pelo latim, está muito presente no falar cotidiano. Quando alguém chega a uma lanchonete, olha o cardápio e pede que lhe sirvam um sanduiche misto, está usando o verbo latino, referido, com direito a dizer que a grafia “misto” estaria errada se se levar em conta a etimologia (origem) da palavra aspeada. Trocando em miúdos, derivam do verbo latino MISCEO, MISCES, ERE, MISCUI, MIXTUM (tradução, pela ordem: misturo, misturas, misturar, misturei, misturado): mistura, misto, miscelânea miscigenação, miscigenar... A palavra mais próxima de imiscuir, é a quarta forma latina MISCUI. Se se levar a forma MIXTUM, seria legítimo dizer-se que o individuo deveria ler nos cardápios sanduíche MIXTO e não misto. Ao fim e ao cabo, imiscuir-se ou não é uma decisão de misturar-se alguma coisa, até mesmo opiniões, pontos de vista e fofocas. Se você neles não se imiscui, está se posicionando: não misturo, não me misturo. Tudo lembra mistura, qualquer que seja ela.

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