LATIM,
PARA QUE TE QUERO?
Hugo Martins
Tenho um amigo que
adorava empregar a expressão “prefiro não me imiscuir” quando desejava dizer
não costumar emitir opinião sobre determinadas questões que não lhe diziam
respeito O último verbo não é muito corriqueiro, prefere-se o emprego do verbo
“intrometer-se”. A forma imiscuir-se, pelo latim, está muito presente no falar cotidiano.
Quando alguém chega a uma lanchonete, olha o cardápio e pede que lhe sirvam um
sanduiche misto, está usando o verbo latino, referido, com direito a dizer que
a grafia “misto” estaria errada se se levar em conta a etimologia (origem) da
palavra aspeada. Trocando em miúdos, derivam do verbo latino MISCEO, MISCES,
ERE, MISCUI, MIXTUM (tradução, pela ordem: misturo, misturas, misturar,
misturei, misturado): mistura, misto, miscelânea miscigenação, miscigenar... A
palavra mais próxima de imiscuir, é a quarta forma latina MISCUI. Se se levar a
forma MIXTUM, seria legítimo dizer-se que o individuo deveria ler nos cardápios
sanduíche MIXTO e não misto. Ao fim e ao cabo, imiscuir-se ou não é uma decisão
de misturar-se alguma coisa, até mesmo opiniões, pontos de vista e fofocas. Se
você neles não se imiscui, está se posicionando: não misturo, não me misturo.
Tudo lembra mistura, qualquer que seja ela.
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