SEM ASSUNTO - II
Hugo Martins
Acabo de encostar-me na minha baladeira de corda. Parece um fetiche, servindo-me de motivação a escrever alguma coisa. Acontece que, quando ergo a vista, lá está Selene. Embora parecendo maior, já começa a perder sua grandeza, encaminhando-se para outra de suas fases, confirmando o movimento e a mudança de que todas as coisas padecem. Nesse momento, minha amiga está envolta por fiapos de nuvens, embora ainda se possa vislumbrar sua presença. Vêm-me à mente as cenas de filmes de terror estrelados por Vicent Price ou pelo eterno conde Drácula, o ator Christofer Lee. Também, vêm-me à lembrança cenários em que a lua, como a se esgueirar, vislumbrada pela magrez de galhos secos de algum bosque solitário, criasse como que a deixa para que a figura do lobisomem surgisse e abrisse a gorja em pavorosos e alongados uivos, assustando os incautos.
Novamente olho o firmamento. Agora recamado de densas nuvens. Por trás delas, Selene brinca. Horas aparece, não mais esplendorosa; horas desaparece como a me chamar a atenção... Pronto, sumiu de novo. Tudo ilusão, tudo miragem, tudo movimento. Ainda assim, Selene sempre exerce fascínio nas pessoas. Não importa a fase em que se encontra. Ela será sempre a mesma. Só muda a roupagem. Em essência, Selene é igual a todas as coisas existentes: possui um Ser e um Não-Ser. Cabe a cada um de nós enxergar as duas facetas. O homem, por exemplo, é paciente, no sentido latino, de alguém ou algo que suporta alguma coisa, daquelas duas categorias metafísicas. Mas sua máxima essência é o Não-Ser, isto é, o Ser do homem é o Não-Ser. Vá falar isso para um religioso, e ele dirá que não concorda, a não ser que o raciocínio seja respeitante ao corpo. E dirá, ainda, que é incabível aquela informação quando se tratar do espírito.
Depende da perspectiva em que se coloca o sujeito em relação ao objeto, alguém dirá.
Alguém olha para o céu e diz que este é azul. Alguém intervém: e nos dias nublados? E nos dias chuvosos? Já se vê que a primeira afirmação pode ser falsa. Então o argumentador dirá que se refere aos dias de céu límpido. Parece também ser frágil essa assertiva, pois a ilusão de ótica poderá advir da sensação ou impressão de infinitude do firmamento, do universo. Quer dizer, o movimento que rege tudo o que existe não permite que se façam afirmações categóricas e absolutas acerca da natureza das coisas no tangente à sua essência.
Epa, lá se está Selene. Nada mais me interessa afirmar sobre como ela se encontra. Ela está no seu canto a influenciar o movimento das marés e a servir de motivo para a criação de versos, de mistérios ou a servir de elemento em cenários sombrios de filmes de terror ou a despertar desmedidas emoções em corações grávidos de incontrolável manifestação de sensibilidade como ocorreu com o compositor alemão Ludwig von Beethoven. Desejando fazer ver a uma cega o luar espalhado sobre o rio Reno, compôs Serenata ao Luar. Eternidade porque arte. Mas, também, padecente do fator mudança. Daí a existência dos chamados estilos de época no campo de todas as artes... Tudo muda, tudo passa, tudo é engolido pela voragem do tempo. "O resto é silêncio."
Hugo Martins
Acabo de encostar-me na minha baladeira de corda. Parece um fetiche, servindo-me de motivação a escrever alguma coisa. Acontece que, quando ergo a vista, lá está Selene. Embora parecendo maior, já começa a perder sua grandeza, encaminhando-se para outra de suas fases, confirmando o movimento e a mudança de que todas as coisas padecem. Nesse momento, minha amiga está envolta por fiapos de nuvens, embora ainda se possa vislumbrar sua presença. Vêm-me à mente as cenas de filmes de terror estrelados por Vicent Price ou pelo eterno conde Drácula, o ator Christofer Lee. Também, vêm-me à lembrança cenários em que a lua, como a se esgueirar, vislumbrada pela magrez de galhos secos de algum bosque solitário, criasse como que a deixa para que a figura do lobisomem surgisse e abrisse a gorja em pavorosos e alongados uivos, assustando os incautos.
Novamente olho o firmamento. Agora recamado de densas nuvens. Por trás delas, Selene brinca. Horas aparece, não mais esplendorosa; horas desaparece como a me chamar a atenção... Pronto, sumiu de novo. Tudo ilusão, tudo miragem, tudo movimento. Ainda assim, Selene sempre exerce fascínio nas pessoas. Não importa a fase em que se encontra. Ela será sempre a mesma. Só muda a roupagem. Em essência, Selene é igual a todas as coisas existentes: possui um Ser e um Não-Ser. Cabe a cada um de nós enxergar as duas facetas. O homem, por exemplo, é paciente, no sentido latino, de alguém ou algo que suporta alguma coisa, daquelas duas categorias metafísicas. Mas sua máxima essência é o Não-Ser, isto é, o Ser do homem é o Não-Ser. Vá falar isso para um religioso, e ele dirá que não concorda, a não ser que o raciocínio seja respeitante ao corpo. E dirá, ainda, que é incabível aquela informação quando se tratar do espírito.
Depende da perspectiva em que se coloca o sujeito em relação ao objeto, alguém dirá.
Alguém olha para o céu e diz que este é azul. Alguém intervém: e nos dias nublados? E nos dias chuvosos? Já se vê que a primeira afirmação pode ser falsa. Então o argumentador dirá que se refere aos dias de céu límpido. Parece também ser frágil essa assertiva, pois a ilusão de ótica poderá advir da sensação ou impressão de infinitude do firmamento, do universo. Quer dizer, o movimento que rege tudo o que existe não permite que se façam afirmações categóricas e absolutas acerca da natureza das coisas no tangente à sua essência.
Epa, lá se está Selene. Nada mais me interessa afirmar sobre como ela se encontra. Ela está no seu canto a influenciar o movimento das marés e a servir de motivo para a criação de versos, de mistérios ou a servir de elemento em cenários sombrios de filmes de terror ou a despertar desmedidas emoções em corações grávidos de incontrolável manifestação de sensibilidade como ocorreu com o compositor alemão Ludwig von Beethoven. Desejando fazer ver a uma cega o luar espalhado sobre o rio Reno, compôs Serenata ao Luar. Eternidade porque arte. Mas, também, padecente do fator mudança. Daí a existência dos chamados estilos de época no campo de todas as artes... Tudo muda, tudo passa, tudo é engolido pela voragem do tempo. "O resto é silêncio."
Nenhum comentário:
Postar um comentário