domingo, 30 de outubro de 2016

Sentidos

por Francisco Hugo Barroso Martins Junior, segunda, 23 de Janeiro de 2012 às 16:05
  1. Todo símbolo e todo signo carregam em suas entranhas significações múltiplas. É a cultura em que são concebidos que determina os sentidos. A experiência, a vivência, a visão de mundo e todo cabedal que o homem traz em si como conhecimento prévio do mundo produzem os sentidos. Estes vêm à tona dependendo da maior ou menor extensão daquele conhecimento enciclopédico pertinente a todo homem.
  2. Nossa cultura toma como símbolo do magistério a coruja. Por que? Ora, a coruja, quando "olha" o mundo, fá-lo girando a cabeça em trezentos e sessenta graus. Além disso, enxerga o mundo com os grandes olhos bem abertos e parece não dormir. Assim, quer a cultura, por este símbolo, que o professor esteja sempre atento, a enxergar com nitidez indomirda o que vai pelo mundo para não cair na esparrela de levar a seus discípulos uma concepção falsa ou distorcida da realidade que os cerca.
  3. Convencionou-se que a Deusa da Justiça é Têmis, representada por uma mulher cujos olhos estão permanentemente vendados; na mão esquerda, soergue, à altural da cabeça, uma balança, cujos pratos estão em perfeito equilíbrio; na outra máo, porta uma espada com a ponta voltada para baixo. Lembro, por jocosidade, que certa feita, uma filha minha, em seus seis anos de idade, ao ver a estátua da Deusa, perguntou-me se se tratava de uma mulher brincando de "cabra cega"...
  4. A interpretação de minha filha tem sua validade, mas, para quem já adquiriu alguma experiência de mundo, cada elemento acima referido, pode desencavar significações outras, entre elas a que lembra ser aquela Deusa o símbolo do Direito como ciência que visa ao atingimento da melhor justiça a ser perseguida pelos operadores do Direito. Vamos às significações possíveis. A venda nos olhos remete à idèia de imparcialidade, em outras palavras, a aplicação do Direito deve ter em mira o dar a cada um o que é seu, sem levar em conta senão o direito pelo direito.. A balança lembra equidade, senso de justiça, tratamento das partes em pé de igualdade, alijando do litígio concessões de favores e privilégios a quem quer que seja ou por qualquer outro motivo estranho ao litígio . Por fim, a espada representa a possibilidade do uso da força ou, como preferem dizer os juristas, a recorrência à coercibilidade. Explicando: se os cônjuges se apartam, se separam, se divorciam, e da relação resultaram filhos menores, por exemplo, os pais podem pensionar os filhos independentemente da intervenção do Poder Judiciário por tratar -se de questão de ordem moral: a manutenção da prole. Aquela espada só intervem na questão se os obrigados não cumprirem o dever moral afeto a eles.
  5. Ontem perguntaram-se o que siginifica a expressão "brado retumbante". A pergunta surgiu talvez por causa de uma minissérie global que anda pelo ar. A expressão está na primeira estrofe do Hino Nacional brasileiro, de autoria de Joaquim Osório Duque Estrada. Tal estrofe , lida na ordem direta, assim fica: As margens plácidas do Ipiranga ouviram o BRADO RETUMBANTE DE UM POVO HERÓICO... Esse tal brado traduz o chamado Independência ou Morte esgoelado por D. Pedro I, às margens do regato Ipiranga, conforme propala a história oficial. Formando locução com POVO HERÓICO, significa que o grito de D. Pedro representou a vontade do povo (hilariante), que almejava a ruptura política do Brasil com Portugal... Coisa da História e das antigas aulas da disicplina moral e cívica ao tempo da Redentora de 1964. Não atino para o significado da expressão na minissérie global, pois não sou muito afeito a assistir a tais seriados... De todo o modo, aí está seu significado...
  6. Como dói e comove "aquela vontade do povo". De quatro em quatro anos, aqui na terra tupiniquim, ocorrem eleições em que matilhase matilhas de homens abnegados e sinceramente precoupados com o bem-estar do povo brasileiro, ecoa seu BRADO RETUMBANTE. Não há o gritinho. Não. Com gritos nada se resolve. Só D.Pedro... Os hoje voltados para o destino e melhoria de condições do povo não gritam... Ciciam discursos melífluos, de cujo teor se pode obter o néctar e a ambrosia dos deuses. Sorriem cavalarmente... Tomam, em plena rua e longe de seus gabinetes, cafezinho em companhia do povo...Soerguem criancinhas nos braços... E prometem algo que por si mesmo constitui sua obrigação. Mas que seus brados, naqueles moldes, comove, comovem...
  7. Assim são os símbolos e signos, linguagem pura a gosto de todos. Se a linguagem é, como alguém disse, "a morada do Ser", seus sentidos mais profundos estão em você, cidadão do mundo e servo da linguagem...
Voilà.

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