quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

LATIM, PRA QUE TE QUERO.
Hugo Martins

Vez por outra, lê-se, aqui e ali, que alguém impetrou um HABEAS CORPUS. "Diabeisso", pergunta um cearense. Na linguagem jurídica, é uma providência  de que alguém se socorre por estar sofrendo ou  por se sentir ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder. Os doutos chamam-no de remédio. Está previsto      
como garantia constitucional na Constituição Federal de 5 de outubro de 1988, art. 5, inciso LXVIII, como também também no art. 647 e seguintes do Código de Processo Penal.
A tradução livre e literal do sintagma latino é "tenhas o corpo" Habeas é a segunda pessoa do singular do presente do subjuntivo, com tonalidade semântica imperativa,  do verbo HABERE (em português, TER, com pronúncia paroxítona). CORPUS (corpo) é palavra de gênero neutro, em latim, e exerce, sintaticamente, a função de objeto direto.
De modo simples um um pedido de "habeas corpus" deferido significa mais ou menos: "homem, teu corpo está retido ilegamente. Toma-o. Vai aonde bem quiseres. Vem de onde bem quiseres", profere o Estado.

LATIM, PRA QUE TE QUERO?
Hugo Martins

"Nemo propheta in patria sua" ("ninguém é profeta em sua terra). É um fato. Por mais que o sujeito reúna talento para exercer dado ofício ou acupação e o faça com reconhecida e eficaz competência, jamais será reconhecido como tal. Lembra  o " santo de casa não obra milagres". Contextos em que se pode ler complexo de inferioridade cultural. Advogado do interior nunca supera o da capital. Medicina boa está nos grandes centros. A propósito, nesse diapasão, deixo indicado aos que cursam medicina um romance de Cronin, A Cidadela, que, embora cheire a idealismo puro, põe às claras essa história de famas e reputações construídas por sofismas. Muita vez, o "profeta" está a seu lado, mas seus olhos e sua alma estão enevoados por dados preconceitos advindos da ingenuidade e da parvoíce.

LATIM, PRA QUE TE QUERO.
Hugo Martins

Quando alguém chega tarde a qualquer compromisso (almoço, banquete ou algo de que não pôde fruir), diz o ditado latino " dormientibus ossa" (aos que chegam tarde o resto). Quem perde prazo e, por consequência, perde o direito, diz o ditado latino " dormientibus non succurrit jus" ( o direito não socorre aos que dormem). Horácio, poeta romano, dizia que a literatura é o "utile dulci" (o útil ao agradável). Queria dizer o poeta que com a literatura aprendemos nos divertindo e divertimo-nos aprendendo. Outra ditado latino curioso " qui bene olet, male olet" (quem usa perfume é porque não cheira bem). Por fim, temos "philosophum non facit barba". Transpondo para a ordem direta " barba non facit philosophum". De fato, " o hábito não faz o monge", assim como a barba, o ar professoral, o suspensório e o cachimbo, o ar de quem está ausente do mundo, nada disso faz o filósofo. Este já nasce feito ou se faz...

LATIM, PRA QUE TE QUERO?
Hugo Martins

" Mortuo leone et lepores insultant" (ao leão morto até as lebres insultam). Corresponde, aqui no Nordeste a " quando o touro está morto, todos querem pegar no chifre (não levar chifres).  Parêmia bem aplicada aos pusilânimes, aos falastrões, a todo aquele que só dá as caras ou arrota grandeza depois que  a situação ameaçadora estiver apaziguada.

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