QUESTÕES VERNÁCULAS DO DIA A DIA - II
Hugo Martins
1- O termo empregado no sintagma acima em posição adjetiva provém do latim VERNACULUS - A- UM, assim apresentado no dicionário em três formas: a primeira para o gênero masculino; a segunda para o gênero feminino; e a terceira para o gênero neutro. Embora encerre várias acepções, como, por exemplo, "nascido em casa", "doméstico", a mais usual aponta para " que nasceu no país, indígena, nacional". Desse modo, a questão vernácula é aquela atinente a um dado idioma. Para nós brasileiros, a língua portuguesa é o nosso vernáculo; a língua francesa é o vernáculo para as comunidades que adotam aquele idioma; do mesmo modo que a língua alemã é o vernáculo para o povo alemão. Legal...
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2- Há tempos não a via. Hoje cedo, ao compulsar as páginas de Les Mots, espécie de autobiografia do filósofo francês Jean Paul Sartre, em que o pensador reflete sobre o binômio mundo/palavra, dei de cara com ela. Malgrado quando com ela me encontro, pressintir-lhe a alma, elas também possuem alma, fui estudar com mais demora seu Ser. Resulta ela, muito interessante, do conúbio entre um radical da língua inglesa e um sufixo de nosso vernáculo: trata-se do nome TRUÍSMO. Segmentando este, temos o sufixo vernacular ISMO, agregado ao termo inglês TRUE (certo, verdadeiro). Quando empregamos esse nome substantivo, estamos a nos referir a "uma verdade trivial, tão evidente, que não é necessário ser enunciado." É um truísmo lembrar ser o homem o único animal a ter consciência de sua própria finitude... Tornou-se, entre nós, um truísmo reconhecer a verdade insofismável: historicamente, é o povo brasileiro vocacionado para a corrupção... E aí vai...
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3- Aprendi a coisa cedo. Achava estranho, mas a paciência, a bondade e a vocação para o magistério entranhada em sua bela alma, virtudes de minha professora do quinto ano primário, que nos preparou para o Exame de Admissão ao Ginásio, Dona Conceição, levaram todos nós a empregar, corretamente, o verbo VER no futuro do subjuntivo. Para o caso, dizia a mestra, não era suficiente só antepor o QUANDO às formas verbais, como, por exemplo, "quando nós lermos a lição" ; "quando tu escreveres o trabalho..." Antes deve existir, dizia ela, a consciência de que a formação do futuro do subjuntivo se dá a partir da terceira pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo do verbo a ser conjugado, eliminando-se as desinências.
Ora, muita gente estranha, com razão, assim conjugar-se o verbo VER no futuro do subjuntivo: VIR, VIRES, VIR, VIRMOS, VIRDES, VIREM. Nada a ver com o verbo VIR, que se conjuga no tempo em questão desse modo: VIER, VIERES, VIER, VIERMOS, VIERDES, VIEREM. O primeiro provém de VIRAM, terceira pessoal do plural do pretérito perfeito do Indicativo de VER; o segundo, de VIERAM do verbo VIR.
Vejamos exemplos. "Quando ele VIER do trabalho, ele trará o livro". "Quando eles VIREM que o conteúdo do livro é superficial, cedo desistirão da leitura.
Simples, fácil, embora estranho...
Voilà...
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