terça-feira, 6 de dezembro de 2016

O Facebook pergunta-me em que estou pensando. Em muita coisa, cujo amontoado não me impede de organizar as ideia e amarrar sintagmas, coser orações, burilar as frases de tal modo que, dessa operação, exsurja um texto que diga alguma coisa.
Quando vou redigir o que quer que seja, muitas vezes, levo já o a ser dito numa espécie de forma mental, igual àquela de se fazer bolos. Outras vezes, abandono-me ao ato de pôr no papel ou na tela do computador aquilo que me vem surgindo na cachola. Claro que, ao fim e ao cabo, sai alguma coisa com alguma ordem. Afinal, o texto, pelo próprio étimo latino, nada mais é que um tecer, um coser, como fazia Penélope com seu tapete. Importa que, nessa faina, sem que menos se espere, avulta algo semelhante ao enigma da Esfinge: "decifra-me ou te devoro."
O mundo pode ser, para alguns, um moinho, como disse o sambista Cartola. Para mim, embora a imagem seja por demais batida a ponto de tornar-se corriqueiro lugar comum, o mundo continua a ser um enigma nas situações mais comezinhas do nosso dia a dia. Tanto é que existe um instrumento, de potencial eficiência,  para que se promovam indagações aos porquês que pululam ante nossos olhos: a camada simbólica apanágio da linguagem, que pode, paradoxalmente, explicar ou confundir. Estarei eu plagiando o velho guerreiro Chacrinha? Embora pareça uma reflexão trivial, vem ela carregando em seu bojo algum laivo de verdade.
Com efeito, as notícias de mundo hoje nos chegam com uma máscara trágica ou mentirosa. Cheguem pelos meios de comunicação de massa ou pela boca do povo, nenhuma delas, sem exceção, noticia algo agradável em que a solidariedade humana esteja presente, transpirando amor ou bondade, palavras tão barateadas pelo utilitarismo que ronda o homem desses tempos de muito discurso vão...
Por óbvio, aparecem, aqui e ali pálidas exceções, que fazem o jogo humanitário sem que soem trombetas, explodam fogos de artifício e refuljam flashs de máquinas fotográficas. Dizem que, no Brasil, ser honesto é uma virtude, não uma obrigação derivada da lógica e da natureza das coisas. Devolver o que pertence aos outros transforma-se em ato de heroísmo. Cumprir o dever, dentro do espírito do imperativo kantiano, é ato de bravura e de grandeza de alma. As escolas estão mais voltadas para ações pedagógicas que estimulam a competição doentia entre pseudogeniozinhos, que, sem nenhuma culpa, veem-se, gratuitamente, desprovidos de formação humanística. Há deles, até mesmo, que desdenham das chamadas ciências humanas como se estas fossem coisa de segunda categoria. É doloroso...
O mundo está apinhado de semideuses... Aqui cabe a pergunta do poeta na poesia que ele intitulou de Poema em Linha Reta:"arre, onde há gente no mundo?"
Sei não...
Escrever, e escrever,e escrever, e escrever... Mesmo que não se tenha nada a dizer, palavra puxa palavra,
e o texto se faz. Não importa o que ele veicula. Se ingênuo, se polêmico, se profundo, se raso, importa criar ainda que tudo resulte num aborto intelectual. Não é crime...
Eis aí um texto escrito ao sabor de reflexões que acorrem ao redator à medida que vai matraqueando o teclado, sem nenhuma preocupação de tropeçar no enleio da frase ou na construção da ideia. É como ler uma obra literária supinamente encantadora. É  viagem. E das boas, sem medo de avião...

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