AS HIENAS ESTÃO DE VOLTA
Hugo Martins
A toda hora elas nos abordam. Seus
rostos risonhos, estampados em fotos coloridas nos comovem; seus nomes,
garatujados em paredes e muros nos enchem os olhos; seus teatrais discursos nos
divertem. Elas estão soltas, de patas estendidas a angariar o que o cidadão não
deve vender: o voto, essa arma democrática tão mal digerida por quem vota e por
quem é votado.
Com efeito, é comovente o ar de
felicidade e confiança que emana do semblante hipócrita de cada uma delas. Quem
não vivesse neste país de contrastes leria naquela carantonha de aura simpática
veladas intenções de indescritível vontade de encontrar mudanças (palavras de
largo uso entre as hienas). Seus nomes, acompanhados de número, sujam a cidade,
tornam-na mais sombria e parecem nada dizer, a não ser que uma hiena está
pretendendo persuadir o transeunte de que ela, por pertencer a um
partido, é um bom partido. Seus sermões monocórdios, com gosto de mesmice, são
uma torturante cantilena, salmodiada de promessas vãs e mendazes, cujo tema não
muda. As notas são: melhorias na saúde, na educação, na segurança e outras baboseiras
de mesmo naipe. É a tagarelice sempiterna de quem, aparentemente interessado em
servir, trai-se, pois, por questão lógica, se o “munus” não fosse remunerado, a
maioria cedo bateria asas... Basta ver que o só ato de trabalhar um só dia numa
das Juntas Eleitorais, recolhendo votos, amedronta o mais bem-intencionado dos
homens...
No
Eclesiastes, livro atribuído a Salomão, há uma frase lapidar que denuncia serem
os mesmos homens e mundo: nihil novi sub
sole (nada de novo sob o sol). Só os filósofos, santos e sábios permanecem
indiferentes, pois conhecem aquela verdade e conhecem outra mais contundente
ainda, também inserta naquele sábio livro: vanitas
vanitatum et omnia vanitas (vaidade das vaidades e tudo é vaidade). Na
verdade, as hienas só olham para o próprio umbigo e para o próprio bolso.
Alcançado seu objetivo, alcandoram-se no seu ilusório poder e esquecem o
risonhamente prometido.
À desfaçatez
de cada uma delas, nosso desprezo e, por via de conseqüência, nosso voto.
Digamos NÃO no próximo pleito eleitoral
com a anulação do voto. Afinal, por que perder tempo? Mudam-se as máscaras, mas todas as hienas são
iguais. E todas as tocas estatais também são as mesmas. Ou, como diz a
sabedoria popular: só mudam as putas; o cabaré continua o mesmo.
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