quarta-feira, 31 de agosto de 2016

AS HIENAS ESTÃO DE VOLTA
                                                                                                          Hugo Martins  


         A toda hora elas nos abordam. Seus rostos risonhos, estampados em fotos coloridas nos comovem; seus nomes, garatujados em paredes e muros nos enchem os olhos; seus teatrais discursos nos divertem. Elas estão soltas, de patas estendidas a angariar o que o cidadão não deve vender: o voto, essa arma democrática tão mal digerida por quem vota e por quem é votado.
           
Com efeito, é comovente o ar de felicidade e confiança que emana do semblante hipócrita de cada uma delas. Quem não vivesse neste país de contrastes leria naquela carantonha de aura simpática veladas intenções de indescritível vontade de encontrar mudanças (palavras de largo uso entre as hienas). Seus nomes, acompanhados de número, sujam a cidade, tornam-na mais sombria e parecem nada dizer, a não ser que uma hiena está pretendendo persuadir o transeunte de que ela, por pertencer a um partido, é um bom partido. Seus sermões monocórdios, com gosto de mesmice, são uma torturante cantilena, salmodiada de promessas vãs e mendazes, cujo tema não muda. As notas são: melhorias na saúde, na educação, na segurança e outras baboseiras de mesmo naipe. É a tagarelice sempiterna de quem, aparentemente interessado em servir, trai-se, pois, por questão lógica, se o “munus” não fosse remunerado, a maioria cedo bateria asas... Basta ver que o só ato de trabalhar um só dia numa das Juntas Eleitorais, recolhendo votos, amedronta o mais bem-intencionado dos homens...

            No Eclesiastes, livro atribuído a Salomão, há uma frase lapidar que denuncia serem os mesmos homens e mundo: nihil novi sub sole (nada de novo sob o sol). Só os filósofos, santos e sábios permanecem indiferentes, pois conhecem aquela verdade e conhecem outra mais contundente ainda, também inserta naquele sábio livro: vanitas vanitatum et omnia vanitas (vaidade das vaidades e tudo é vaidade). Na verdade, as hienas só olham para o próprio umbigo e para o próprio bolso. Alcançado seu objetivo, alcandoram-se no seu ilusório poder e esquecem o risonhamente prometido.

            À desfaçatez de cada uma delas, nosso desprezo e, por via de conseqüência, nosso voto. Digamos NÃO no próximo pleito eleitoral com a anulação do voto. Afinal, por que perder tempo?  Mudam-se as máscaras, mas todas as hienas são iguais. E todas as tocas estatais também são as mesmas. Ou, como diz a sabedoria popular: só mudam as putas; o cabaré continua o mesmo.

             

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