quinta-feira, 25 de agosto de 2016



MODISMOS INTOLERÁVEIS
Hugo Martins
Sujeito chega e pergunta: “paralimpíadas está correto?” Que diabo de aleijão gráfico é este? – perguntei. "É palavra que designa as olimpíadas que têm por alvo os atletas que apresentam algum tipo de deficiência física, mas demonstram preparo para competir com seus pares". Democracia. Que coisa linda!! Um diabinho safado me sussurra nas oiças: “ que tem de bonito nisso?” Redargui: “meu caro, você não enxerga, na iniciativa, a lídima preocupação política em dar vez a todos”? O safado soltou um riso escarninho e completou: “isso me cheira a hipocrisia”. Por trás disso existem outros interesses escusos, o do lucro, por exemplo.” Respondi: “meu prezado, não vou discutir a questão porque, diabólico como você é, sempre vai enxergar algo de errado que é feito com tanta boa vontade pelos nossos abnegados homens públicos.” Agora ele explodiu numa gargalhada estentórea e argumentou: “ homem, se essa corja que aí está a dirigir o país estivesse movida pelo propósito de melhorar a vida de todos, faria uso mais sábio dos tributos que todos vocês pagam...” “Que fazem?” Lançam as patas, quais lobos vorazes, no erário, e repassam, para si e para os apaniguados, o produto da riqueza por todos construída, esteados em leis bastardas, criadas para eternizar a impunidade.” “ Assim não fosse, seria possível se promoverem olimpíadas voltadas para o essencial e não para o incidental, que põe em evidência o espetaculoso, montado na mentira e na desfaçatez cínica de quadrilheiros versados na arte de embair a todos vocês, os ingênuos, os sem imaginação, os sem estrela, os otários...” Dizendo isso, o pequeno demônio chispou e desapareceu numa nuvem de enxofre.
Isso se deu num átimo, pois fui como que acordado pela insistência do sujeito: “e então, que me diz da palavra referida.?” Acresci que nada tinha a dizer, pois sempre aparecerão linguistas modernosos defendendo que o preconceito linguístico é apanágio de quem não quer enxergar a língua por um prisma científico. O sujeito insistiu: “e sua posição?” Disse eu: “homem, para ser sincero, eu mandaria essa casta de linguista dona da verdade para “a puta que os pariu”. Não por impotência argumentativa, tampouco por carecer de base epistemológica (conhecimento científico). Digo alto e bom som: “paralimpíada é frescura de rabo, é termo inventado por algum imbeciloide que não tem o que fazer. Ele, para se mostrar diferente, utiliza o frankstein gráfico e, o que é pior, todo um rebanho de descerebrados o segue como carneirinhos bem adestrados. Repito: paralimpíada está errado.
Argumentos? Primeiro, não me consta que o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, publicação da Academia Brasileira de Letras, registre a bastardia gráfica. Se o fizer, também incide em erro. Segundo, a preposição PARA, que ladeia a palavra Olimpíada, é a mesma que se coloca antes do radical da palavra literatura, por exemplo, resultando PARALITERATURA, isto é, significa “quase literatura.” Da mesma forma, no caso em comento, tem-se, por analogia, PARAOLIMPIADA, “quase olimpíada”. Terceiro, nenhuma razão de natureza fonética justifica a queda do “O”. Que diabos é mesmo “limpíada”? A queda de fonemas se dá, normalmente no fenômeno da crase, da fusão de vogais. Assim é que a palavra COR, advém da palavra latina “COLOR”, que, em sua evolução, sofre a queda ou síncope do “L’, restando COOR. Daí, as duas vogais se fundem, como ocorre em COOPERAÇÃO (prefixo CO, variante de COM, mais OPERAÇÃO) Observe-se que a palavra é assim grafada, mas, quando pronunciada, no português brasileiro, soa COPERAÇÃO, crase, crase, crase, coisa que não se explica na horrorosa “paralimpíada".
Numa olimpíada em que a grafia das palavras fosse uma modalidade “esportiva”, o sujeito que teve a infeliz ideia de inventar aquela palavrinha, não receberia medalhas e talvez nem mesmo participasse da competição por insuficiência de preparo...
O que não estaria pensando ZEUS e seu séquito de onze deuses lá no Monte LIMPO? Provavelmente em lançar seu raio e fulminar o idiota que me fez perder tempo em escrever este texto para justificar quanto ele é tolo, parvo e outros adjetivos afins.

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