segunda-feira, 1 de agosto de 2016

HOMEM, UM ANIMAL FIEL A SI MESMO

                                                        Hugo Martins

                     Existem várias mentiras convencionais de que se socorre o homem para maquiar a realidade, para tornar a existência mais amena e para consolar “o caniço pensante”. Em primeiro lugar, a mentira política; em segundo, o engodo ideológico e, por fim, a mentira religiosa. Aliás, Max Nordau, filósofo alemão, já abordou o assunto na obra MENTIRAS CONVENCIONAIS DE NOSSA CIVILIZAÇÃO, afora outras mentirinhas. Entre estas, se inscreve aquela parêmia hipócrita, atribuída ao Barão de Coubertin, cujo teor encerra o que tem o ser humano de mais cretino e de mais mentiroso. Reza o brocardo: O IMPORTANTE NÃO É VENCER, MAS COMPETIR. Claro que o importante é vencer, desde que a vitória advenha de contendas em que estiveram presentes a lealdade, a cordialidade e o espírito de esportividade. Estivesse o desportista ungido do espírito daquela balela de Coubertin, os estádios não se transformariam em praças de guerra, as grandes empresas não se locupletariam com a vil propaganda nem as associações esportivas seriam celeiros de estrelas de pouco e transitório brilho. “Vaidade das vaidades, tudo é vaidade. ” Com esta sentença, abre-se o Eclesiastes. O homem é um animal, antes de tudo, vaidoso. Talvez por ter funda consciência de sua pequenez e de sua finitude, sobretudo. Por isso, eleger como lema a frasezinha de Coubertin é posar de tartufo sem nenhum escrúpulo, é negar a natureza humana.
O IMPORTANTE É VENCER, NÃO SÓ COMPETIR. Abaixo, pois, toda mentira que desnature o homem, este eterno hipócrita.
        Aí estão as tais Olimpíadas, competições promovidas entre os gregos em honra e homenagem a Zeus, que habitava, conforme a mitologia, o Monte Olimpo em meio a tantos outros deuses. Os atletas visavam tão só a comenda de herói, só. A civilização ocidental dos tempos hodiernos vem mantendo a tradição com um só escopo: em primeiro lugar, alimentar a vaidade transitória, perseguida de tal maneira, que atletas há que se socorrem até mesmo ao embuste, à mentira, ao uso de drogas que o tornam, na competição, mais eficientes: vaidade, vaidade, vaidade... Quanto aqueles que administram e dirigem o “negócio”, estão pouco interessados em promover o esporte pelo esporte. Por trás do teatro promovido pelos meios de comunicação de massa e outros instrumentos, imbecilizantes, estão outros interesses mesquinhos, sobretudo o engabelar a população ignorante e, daí, auferir lucros astronômicos.
        A coisa é tão imoral, que o aparato para fornecer segurança pública, durante os jogos, frise-se, é, como diz o outro, coisa do outro mundo. Terminados os jogos, a população voltará a experimentar e sofrer a sanha de bandidos e criminosos...
        Por isso, insista-se, tomar a sério aquela parêmia cretina de Coubertin é negar o ser do homem. O importante é vencer. Não fosse isso inexistiria a tentativa de burlar os demais concorrentes, como fazem alguns cretinoides, recorrendo àqueles métodos baixos e pequenos. Sobretudo o de ingerir substâncias químicas que todos sabem muito bem para quê...
        Ora deixem-me aqui à sombra; permitam-me não vestir a carapuça de pulha; não me venham com conversa mole...
Evitem desvirtuar a natureza humana. Ele tem que ser fiel a si mesma...
Tudo o mais é conversa fiada, conversa mole, conversa pra boi dormir. Estou cansado. Ainda assim, vou vencer esse cansaço a fim de ler mais do que venho fazendo há tempo sempre com o escopo de sair dessa aura de idiotia generalizada e compartilhada. Se sou agressivo, não tenho muita certeza disso... Permaneço fiel à franqueza que não avilta, nem engana




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