sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012








A PROPÓSITO DA DEMOCRACIA



                                                               Hugo Martins





          Sempre que o cidadão deposita seu voto na urna, com o fim de escolher representantes do Executivo e do Legislativo, renega sua vontade individual e adere à vontade geral a que se refere Jean Jacques Rousseau. Da mesma forma, quando participa de um plebiscito ou de um referendo, ou mesmo propõe projeto de lei nas casas legiferativas, encontra-se em pleno exercício da Democracia. No primeiro momento, exerce-a, indiretamente; no segundo, diretamente. O art. 1º da Constituição Federal, em seu parágrafo único, reza, in verbis: Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição. A primeira parte do dispositivo trata do exercício de forma direta; a segunda parte remete para o art. 14 e incisos, em que se alinham as hipóteses do exercício de maneira indireta.



          Em determinados períodos, todos vamos às urnas. Votamos e aguardamos mudanças. Vez por outra, vamos àquelas e decidimos diretamente algum problema político de nosso interesse. Por exemplo, há pouco tempo, decidimos algo relacionado ao comércio de armas de fogo; no dia 7 de setembro de 1993, deveríamos ter participado de um plebiscito para definir a forma e o sistema de governo. Embora tenha sido adiada a data supra, escolhemos. Em 1994, a escritora de novelas televisivas Glória Perez, seguindo o rito determinado pela Carta Política em vigor (art. 61, § 2º), apresentou projeto de lei ao Congresso Nacional em que propunha fosse o homicídio qualificado considerado crime hediondo. A novelista perdeu uma filha morta covarde e perversamente por um ator global. A Lei 9.830/94 efetivamente passou a considerar hediondo aquele delito. Vê-se que existe democracia no País, malgrado a opinião torta e vesga de alguns desavisados.



          Ora, quando alguém solta cobras e lagartos contra nossos frívolos governantes, administradores da polis, deles cobrando coerência e honradez; quando este ou aquele, prenhe de indignação e revolta, cerra os punhos e abre a gorja em maldições e descomposturas pela leviandade de nossos mendazes e infiéis legisladores, algo existe de podre na sociedade.



          O deputado larápio e mentiroso; o administrador pilantra que dá esmolas eleitoreiras; o senador cínico, desavergonhado e recalcitrante, que, tal um cachorro famélico, não solta o osso; bem como toda a corja que enodoa a reputação do povo e o ludibria, na verdade, bem o representa. Ali estão porque a eles foram delegados amplos poderes para exercitar toda sorte de malícia, de sordidez e desfaçatez...



          A democracia é isso... Ela não deixa nem mesmo envelhecer o velho bordão tão rebatido de que todo povo tem os governantes que merece.



          Mas aí são outras histórias. A História que o diga.








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