sexta-feira, 8 de julho de 2016

ENTÃO É NATAL...
                                            Hugo Martins

Nestes tempos de Natal, em que a solidariedade humana mais se acentua nos espíritos desarmados dos homens, cedi, ontem, a um impulso imperdoável a que não costumo fazer qualquer concessão: deixei-me vencer pela impulsão do consumismo frívolo e inconsequente. Abri a bolsa de parcos recursos e danei-me a comprar. Não sei se obedecia ao desejo de preencher algum vazio interior ou buscava dar vaza ao prazer anódino de gastar por gastar com o fim de mitigar minhas dores existenciais. Não desejo pensar nisso. O que está feito está feito. Pois bem...
Pois bem, as tais mercadorias que adquiri talvez sejam, de fato, necessárias, pois nada acrescentam à atmosfera desses tempos de desencanto. Nada acrescentam ao homem moderno. Constituem matéria sem nenhuma serventia. Não sei por que algumas pessoas curtem esse tipo de coisa. Aventurei-me para ver no que ia dar. Vejamos: cuidei de adquirir o que se segue. Perdoem-me se fui leviano, e minhas preferências não tenham se coadunado com a ordem do dia. Vou arriscar, enumerando as mercadorias adquiridas, frutos da minha insensatez. Peço condescendência, sem suplicar perdão, pois continuo buscando dar ouvidos à minha voz interior... Eis o que comprei, gastando, pasmem, R$ 69,00 (sessenta e nove) reais. É muito dinheiro pra tão pouco...
Memorial do Convento, de José Saramago; Foucault em 90 minutos; Sartre em 90 minutos; Crépuscule des idoles, de um tal Nietzsche; Vies e doctrines des philosophes de l Antiquité, de um tal Diógenes Laércio; David Hume em 90 minutos; Kierkegaard em 90 minutos. Só gentinha sem nenhuma expressividade, sem nenhuma importância para esses tempos imediatistas. De todo modo, vou arriscar-me a fruir esse povinho. Depois, quem sabe, a sensatez não me socorra e eu tenha que voltar ao rebanho?
Questão de tempo, questão prenhe de questões... Afinal o Natal é uma festa profundamente cristã. Dizem os comerciantes e os iniciados na arte de persuadir os tolos.
Pois não é que caí nessa esparrela... Que hei de fazer? Enfronhar-me na leitura daqueles sujeitos. Não sei se a empreitada vale a pena.


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