POIS É...
Hugo Martins
Em outros tempos, gostava de ler frases em para-choques de
caminhões. Chamavam-me atenção as de cunho filosófico como essa: “O Sol nasce para todos; a sombra, para quem
merece.” Outras havia, que destilavam declarações amorosas: “Nas curvas do teu corpo, capotei meu
coração.” E faziam pensar aquelas regadas pelo jogo ambíguo e poético da
linguagem, em sua feição estética: “Motorista,
olhe para a mulher do próximo, mas conserve a sua direita”. O bom de tudo
isso era a preocupação em não resvalar em erros crassos de linguagem.
Hoje, não mais se veem caminhões, ostentando aqueles ditos.
Coisas do progresso...
Migraram para os carros de passeio. Não com o mesmo bom gosto
de outrora. Quando não se apresentam grosseiramente grávidos de estupidez e
agressividade gratuita, fazem apologia farisaica, como se o dono do veículo
pugnasse por mostrar quanto é ele observador dos preceitos bíblicos, mesmo que
nunca tenham lido um só versículo do Evangelho, ou ostente, em casa, numa
espécie de pedestal, na estante da sala, um volume da Bíblia Sagrada,
empoeirado por só servir apenas de elemento de decoração. A poeira vem do fato
de nunca ser folheada... Coisa de farisaísmo...
Assim, pode-se ler algo de que não se tem certeza: “Deus é fiel”. Ou, uma mentira de quem
considera Cristo o detentor de imensa frota de veículos, pois, frequentemente,
alguém põe à vista de todos: “Propriedade
do Senhor Jesus”. Consta que Jesus Cristo se locomovia a pé ou, quando
fosse o caso, de barco. Mas os fariseus querem, por força, considerar Cristo um
capitalista. Coisa de ignorância histórica ou jogo de falsa humildade.
Hoje me chamou a atenção uma frasezinha colocada impunemente
num automóvel: “Senhor acredito no que
tu disse (sic) e obrigado pelo que
tu fez” (sic).
Comentando o fato com um amigo dado ao cultivo das
Belas-Letras, dele ouvi:
- Comecemos por fazer vista grossa em relação à vírgula que
devia estar assinalando o vocativo Senhor.
Aduziu:
- Benzam os céus a crença e a gratidão do redator. Que fique
claro, porém, que esse sujeito parece nunca ter estudado conjugação de verbos.
Ao que acrescentei:
- Coisa de ignorância e analfabetismo funcional... Essa turma
de pregoeiros da própria fé deveria ler realmente a Bíblia Sagrada. É obra
sábia, de linguagem rica, prenhe de ricos exemplos e que não tropeça nos mais
comezinhos acidentes da concordância verbal...
Aleluia, irmãos!!!!!!!!
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