MEDO
DE MONSTROS
Hugo
Martins
Conta-se que, de uma
feita, a professora reuniu seus aluninhos de alfabetização e com eles começou
um jogo de perguntas e respostas a ver o que ia no inconsciente dos petizes.
Sentados no chão, via-se no olhar de cada uma grande expectativa, pois a
professora dissera que ia conversar sobre medo, este gigante da alma a que se
refere Mira y Lopez, psiquiatra cubano.
O jogo se constituía em a
mestra perguntar a cada guri que mais metia medo nele.
A menininha levantou o
braço e disse:” o lobo mau”. A professora perguntou por quê. A explicação da
jovenzinha foi lógica; “o lobo mau quis fazer Chapeuzinho Vermelho de mingau e
ainda quis comer a vovó”.
Em seguida, um
meninozinho sardento levantou o dedinho e disse temer por demais o lobisomem. E
explicou: ele tem os dentes muito grandes, é corcunda, tem um uivo amedrontador
e mata as pessoas.
A seguir, outra menininha
de olhos ardidamente verdes, com os cabelos arrumados em forma de rabos de
cavalo, acrescentou que tinha muito medo de vampiros, pois eles se transformam
em morcegos e, à noite, chupam o sangue
das pessoas.
Lá no cantinho, um
garotinho de ar tímido, respondendo à pergunta da professora disse muito temer
o MALAMÉM. Sem entender, a jovem professora perguntou de quem se tratava. O
assustado molequinho começou a explicar: “Professora, toda noite, antes de me
deitar, minha mãe reza comigo. E, na oração, tem uma parte que ela diz assim:
“... e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-me do “MALMÉM”!!!
Contei essa história a um
sujeito supinamente cético e aproveitei a oportunidade de também perguntar-lhe
que coisa no mundo mais lhe metia medo. Ele olhou-me, pendurou nos lábios amargo
um risinho escarninho e disse:
- Da frasezinha “eu te amo.”
Não mais esperei
explicações. Não havia interferência do inconsciente. Toda a instância do
consciente parecia estar ali simples, barata e clara, sem subterfúgios.
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