ESCREVER
Hugo
Martins
Lê-se por trás do sintagma “professor de redação” não
só um sofisma deslavado mas também uma aura de pretensão vaidosa e de
imperdoável insolência.
Todos podem escrever. Basta lançar mão de papel,
caneta e aventurar-se no pensar. Se alguém tem o que dizer, que não se
intimide: registre. É necessário fazer como o ciclista, que, de queda em queda,
vai, aos poucos, adquirindo segurança e, com o tempo, desenvolvendo técnicas
próprias, passa a dominar o guidão. Quanto ao candidato a redator, há de, antes
de tudo, desenvolver o hábito de leitura. Do rótulo de pasta dental aos
volumosos ensaios. Aquela frase “sem tesão não há solução”, que dá nome a um
livro do psiquiatra pernambucano Roberto Freire, aqui parafraseamos, acrescendo:
sem leitura não há solução. Sem desejo, sem gosto, sem a descoberta dos
prazeres que a leitura proporciona, não há como dizer algo, a não ser asneiras,
chavões, tolices e lugares comuns. Isso baixa tesão...
Perguntado de que forma as redes sociais poderiam
favorecer seus usuários no exercício da escritura, não titubeei e assim
respondi: primeiro passo, aliar as visitas ao facebook aos intervalos para
leituras de toda ordem; segundo, ao invés de copiar frases de terceiros,
escrever as da própria lavra, sem medo, sem temor de censuras. Mesmo que estas
venham como advertência pedagógica.
Ler e escrever são vícios e “drogas” que dão a maior
“lombra”. Deixar passar a oportunidade é perder a chance de fazer “viagens” no
mundo feérico das ideias... Tomar porres de leitura é sinal de inteligência,
pois ela afasta do mesmismo, da alienação e da idiotização coletivizada, além
de favorecer a prática do escrever.
Ressalte-se: abandonar a ideia de copiar frase de
outrem e passar a escrever as que lhe fervilham na mente é a primeira
providência...
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