sexta-feira, 1 de julho de 2016

ESCREVER
                                           Hugo Martins

Lê-se por trás do sintagma “professor de redação” não só um sofisma deslavado mas também uma aura de pretensão vaidosa e de imperdoável insolência.
Todos podem escrever. Basta lançar mão de papel, caneta e aventurar-se no pensar. Se alguém tem o que dizer, que não se intimide: registre. É necessário fazer como o ciclista, que, de queda em queda, vai, aos poucos, adquirindo segurança e, com o tempo, desenvolvendo técnicas próprias, passa a dominar o guidão. Quanto ao candidato a redator, há de, antes de tudo, desenvolver o hábito de leitura. Do rótulo de pasta dental aos volumosos ensaios. Aquela frase “sem tesão não há solução”, que dá nome a um livro do psiquiatra pernambucano Roberto Freire, aqui parafraseamos, acrescendo: sem leitura não há solução. Sem desejo, sem gosto, sem a descoberta dos prazeres que a leitura proporciona, não há como dizer algo, a não ser asneiras, chavões, tolices e lugares comuns. Isso baixa tesão...
Perguntado de que forma as redes sociais poderiam favorecer seus usuários no exercício da escritura, não titubeei e assim respondi: primeiro passo, aliar as visitas ao facebook aos intervalos para leituras de toda ordem; segundo, ao invés de copiar frases de terceiros, escrever as da própria lavra, sem medo, sem temor de censuras. Mesmo que estas venham como advertência pedagógica.
Ler e escrever são vícios e “drogas” que dão a maior “lombra”. Deixar passar a oportunidade é perder a chance de fazer “viagens” no mundo feérico das ideias... Tomar porres de leitura é sinal de inteligência, pois ela afasta do mesmismo, da alienação e da idiotização coletivizada, além de favorecer a prática do escrever.

Ressalte-se: abandonar a ideia de copiar frase de outrem e passar a escrever as que lhe fervilham na mente é a primeira providência...

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