domingo, 10 de julho de 2016

NÉ NÃO. É?
                                          Hugo Martins

O povo brasileiro é preconceituoso quer queira, quer não. Antes da promulgação da atual Constituição, em 5 de outubro de 1988, era comum a polícia prender as prostitutas, chamadas, à época, mariposas, bem como prender os hoje chamados homoafetivos que, à época, eram conhecidos como veados (com e mesmo, não existe a grafia viado). Era corriqueiro, em Fortaleza, vaiar todo aquele a quem a população tomasse como bode expiatório, porque assumia comportamento destoante da opinião do populacho. Quem praticasse o candomblé era preso também, e os chamados “despachos”, eram destruídos. Sobre o negro, existem livros famosos em que a manifestação preconceituosa em relação a esse grupo étnico se mostrava às escâncaras. O escritor cearense Leonardo Mota isso fez nos seus Adágios (existe uma edição publicado sob os auspícios do Banco do Nordeste), bem como no volume No Tempo de Lampião. Terminada a leitura deste, enfileira-se um elenco de frases desgraciosas com relação ao negro, que hoje levariam o famoso folclorista às barras dos tribunais.
O povo brasileiro é preconceituoso, sim.  Impede-o de manifestá-lo a presença da lei, inspirada no princípio da isonomia, expresso no art, 5º da Carta Política, bem como no art. 3º, IV do mesmo documento político. Tais dispositivos, por sua vez, abeberaram-se nas Declarações Universais de direitos, cuja orientação se finca nos princípios do Cristianismo sincero.
Em outros tempos, não muito distantes, corria o boato de que um clube de grã-finos, aqui em Fortaleza, proibia a entrada de negros em suas dependências. Pelé foi vítima da coisa. No clube do Fluminense do Rio de Janeiro, aos jogadores de futebol negros era proibida a entrada pela porta da frente. Colhemos da leitura do livro Minhas Duas Estrelas, biografia sobre Dalva de Oliveira e Herivelto Martins, escrita pelo filho Pery Ribeiro, que no clube Quitandinha, no Rio de Janeiro, Grande Otelo e Nilo Chagas (que formava o Trio de Ouro com Dalva e Herivelto) só ingressavam no clube por influência de Herivelto Martins. Há pouco, correu notícias de manifestações de preconceito racial contra a atriz Thaís de Araújo... Ora, meus amigos, às favas com essa


Nenhum comentário:

Postar um comentário