domingo, 19 de junho de 2016



A historieta envolvendo as crianças João e Maria, que serviu de mote para que o compositor Chico Buarque exaltasse a atmosfera lúdico-mágica da infância, é passível de outros olhares e outras leituras. Vamos saltar os episódios iniciais do conto, que se ocupam de como o pai das crianças, numa segunda tentativa, conseguiu abandonar os filhos no meio da floresta, e iniciar nossa análise a partir do momento em que os irmãos acordam no alto de uma árvore, local a que se alçaram para fugir ao perigo das feras. Nesse momento, enxergam uma casa, descem da árvore e para lá se dirigem. Ficaram maravilhados, pois a casinha era toda construída por guloseimas. Quando começaram a se deliciar com doces, chocolates e outros acepipes, aparece uma velha que os captura. Mas só João foi aprisionado numa gaiola. Maria ficou livre... Todo santo dia, a velha chegava à gaiola pedia que João lhe mostrasse o dedo. Dizia ela: você só será libertado quando seu dedinho engrossar. Freud explica... Certo dia, a bruxa observou que o dedo de João mais e mais engrossava... Freud explica. Os planos da megera era assar o menino e, em seguida, comê-lo. Freud explica. Por que não desejou ela comer a menina? Freud explica. O menino planejou com a irmã surpreender a velha: no momento em que estivesse sendo assado, a irmã empurrasse a velha para dentro do fogo. Freud explica. Com efeito, tudo ocorreu como o planejado. Quando a velhota ardia no fogo, gritava:'" água, meus netinhos, água, meus netinhos" . Os meninos respondiam: " azeite, senhora vó..." Freud explica, Freud é foda... Epa! Um ato falho. Textozinho safadinho, cheio de uma simbologia apimentada e sensual, que só a simbologia freudiana ousa explicar. Essa água, esse azeite, esse fogo... Sei não... Freud explica.

Hugo Martins

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