quarta-feira, 22 de junho de 2016

DELÍCIAS LINGUÍSTICAS
Hugo Martins
Do poema Velho Tema, de Vicente de Carvalho, que cuida do problema da felicidade, destacamos o primeiro terceto, que aí vai com um par de aspas e versos separados por uma barra oblíqua: “Essa felicidade que supomos, / Árvore milagrosa, que sonhamos/ Toda arreada de dourados pomos, ”. A leitura do trecho não oferece nenhuma dificuldade de compreensão, pois, com efeito, o poeta metaforiza a felicidade, comparando-a com uma árvore ARREADA de dourados pomos..." A palavra em destaque apresenta parentesco mórfico-semântico com o verbo ARREAR, que, por sua vez não tem nada a ver com o verbo ARRIAR. Se este significa abaixar, descer (o que estava suspenso ou levantado), o primeiro, no texto, não significa pôr arreios, como se explica por aí. A não ser que se tome o significado de arreios como enfeite, ornamento, adorno. No poema, a árvore, a que se refere o poeta, está ARREADA (enfeitada, adornada, ajaezada, ornamentada de pomos (pomum, pomi) ou (pomus, pomi), palavra de origem latina que significa fruto, daí o termo pomar. Efetivamente, não se colocam arreios em árvores.

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