COMENTÁRIO
Hugo Martins
Hugo Martins
Somos abordado por uma jovem que, munida de uma espécie de questionário, pede-nos listar títulos de livros e respectivos autores. Fulcro da pequena pesquisa: indagar de professores do Curso de Letras da Uece que livros, entre tantos, são os mais importantes para a formação do estudante de Letras em nível de graduação. Deixa, ainda, ao professor a faculdade de indicar mais cinco... Pois bem.
Indicamos dez títulos. Lista eclética, pois, a nosso ver, a formação de qualquer profissional há de ser multifária. Somos contrário ao engessamento das especializações nisso ou naquilo. Havemos de pensar como filósofos... Devemos ver o todo e nos convencer de que a atomização de disciplinas e conteúdos não passa de mera forma de pensar o mesmo fenômeno. Ater-se tão só a este ou àquele aspecto do idioma é pensar torto. Vivas, pois, ao ecletismo.
A indicação de apenas dez títulos atende aos objetivos do trabalho da jovem aluna. Fôssemos indicar o absolutamente suficiente para a formação científico-intelectual do estudante, diríamos que o estudante deve ser apenas um apaixonado por livros. Livros de toda ordem: das historietas de Maurício de Sousa a Machado de Assis e Guimarães Rosa; dos tratados de Lingüística à gramatiquice dessaborida; da poesia de Otacílio Batista à poesia épica de Luiz Vaz de Camões; da filosofice barata dos famigerados livros de auto-ajuda à Ética a Nícômano; das variegadas narrativas bíblicas aos alentados tratados de Filosofia da Religião... Enfim, a formação do estudante de letras não deve reduzir-se ao carreirismo apressado de mestrados e doutorados alinhavados de afogadilho, divorciado do amor pelo estudo e pelo autodidatismo gratuito. É dizer com Castro Alves, no poema O Livro e a América: “livros à mão cheia e manda o povo pensar”.
Toda vez que alguém nos indaga de um dado aspecto da língua portuguesa, esperando uma resposta mágica e gramaticoide para a questão, sempre respondemos: A LEITURA. Leitura de tudo que lhe caia às mãos; leitura de livros, de tubos de pasta dental, de rótulo de papel higiênico e, por via de conseqüência, leitura de mundo. Linguagem e mundo se supõem. Diz o filósofo: “a linguagem é a morada do Ser.”
A formação de qualquer profissional desemboca numa questão singular e muito próxima a nós: o amor pelos livros... Amor adúltero, vário, paradoxalmente infiel e constante...
A formação de qualquer profissional desemboca numa questão singular e muito próxima a nós: o amor pelos livros... Amor adúltero, vário, paradoxalmente infiel e constante...
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