segunda-feira, 20 de junho de 2016

EM QUE ESTOU PENSANDO...
                                                                             Hugo Martins

            Em que estou pensando agora? Estou pensando em várias coisas e, por isso, estou sentindo dificuldade de arrumar as idéias. Levanto-me da cadeira, encaminho-me para a geladeira e dali retiro uma garrafa de água mineral gaseificada. Coloco uma porção em um copo de vidro e, aos poucos, vou sorvendo, em pequenos goles, o líquido gelado de goela a baixo... Nesse ritual, grande é o silêncio em volta, com exceção do ronco dos veículos que se arrastam numa avenida próxima. Nada me vem à cabeça... Volto à cadeira e folheio A Essência do Cristianismo, do pensador alemão Ludwig Feuerbach, obra que contém radical crítica à teologia e uma espécie de “desmitologização” das pretensões teóricas da religião. Por tratar-se de obra voltada à Filosofia da Religião, perlustrei-a aos pulos, pois o pensamento que me assaltou quando virei suas folhas, levou-me a indagar-me o porquê do zelo das pessoas deste século sem luzes em mostrar o quanto são pias, generosas e tão fiéis aos seus deuses.
            É comum se afixarem adesivos em vidros de automóveis em que se lêem inscrições como “Deus é Fiel”, “Propriedade do Senhor Jesus” e outras que tais... Isso cheira a farisaísmo chão. Afinal, no Evangelho Segundo São Mateus, há uma passagem em que o Cristo adverte os fiéis de que a oração deve ser feita no silêncio da alma e não  como  fazem os fariseus, que oram nas sinagogas, à vista de todos, para serem olhados como devotados ao seu Senhor.
            “Os sepulcros caiados”, “a raça de víboras”, “a geração adúltera”, epítetos que o Cristo cola “como tatuagem” no espírito dos fariseus de seu tempo, vêm bem a calhar como rótulo das atitudes farisaicas dos tempos hodiernos. Ora, se o sujeito é de opinião de que Deus é fiel, que se apoie nessa fidelidade e, não saia da sua certeza para apregoar algo que, em sua essência, já é, pois, é essência e não aparência. É o mesmo que dizer que toda pedra é dura. Risível... Agora, aquela história de o sujeito comprar um bem, como um automóvel, no caso, e fazer dele proprietário o pobre Jesus é desejar desvirtuar a natureza do Nazareno. Aliás, alguém, em tom jocoso, já disse que, em Fortaleza, o dono da maior frota de automóveis é o filho de Deus. Mentira. Jesus é sujeito desprendido e nunca pensou o mundo pela ótica capitalista. Era manso de espírito, além de generoso e pródigo em distribuir.  E, ao que parece, só se locomovia a pé. Dizem as Escrituras...
            O resto é conversa fiada de quem quer “se amostrar” para os outros, como a dizer: Olhem como eu sou fiel a Jesus!...

            

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